Caruru-gigante acende alerta no Sul e leva RS a iniciar força-tarefa

    Ação no Alto Uruguai busca conter avanço da praga, com ocorrência já confirmada em Santa Catarina e São Paulo

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    Caruru-gigante acende alerta no Sul e leva RS a iniciar força-tarefa
    10deAbrilde2026ás15:45

    Uma das plantas invasoras mais agressivas à agricultura brasileira voltou ao radar das autoridades e já mobiliza ações no Sul do país.

    Após registros em São Paulo e Santa Catarina e ações no Paraná, agora é a vez do Rio Grande do Sul iniciar uma força-tarefa para conter o avanço do caruru-gigante e evitar prejuízos às lavouras.

    A região do Alto Uruguai, que reúne mais de 30 municípios, será a primeira no estado a receber a ação do governo contra o Amaranthus palmeri, também conhecido como caruru-gigante.

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    As visitas a propriedades rurais e as atividades de educação sanitária ocorrerão entre os dias 13 e 17 de abril, com a participação de 26 servidores do Departamento de Defesa Vegetal (DDV), ligado à Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi).

    A praga quarentenária representa alto risco à produção agrícola, com ocorrência já confirmada em Santa Catarina e São Paulo.

    O impacto pode ser severo: perdas de até 79% na produtividade da soja e de 91% no milho, além de aumento nos custos de produção e dificuldades nas operações de colheita.

    Caruru-gigante acende alerta no Sul

    Ação em campo e orientação direta

    A estratégia envolve visitas às propriedades para orientar produtores sobre os riscos da planta invasora.

    “Abordaremos as principais diferenças entre o caruru-gigante e outras espécies de caruru, os potenciais danos que essa planta daninha pode causar nas propriedades, bem como as formas de controle e prevenção. Daremos especial atenção à importância da aquisição de sementes certificadas e aos cuidados com o trânsito de maquinário, especialmente aquele proveniente de fora do Rio Grande do Sul”, explica o fiscal estadual agropecuário Alonso Duarte de Andrade.

    Controle rigoroso e prevenção

    A recomendação das autoridades é clara: todo maquinário que ingressar no estado deve passar por sanitização e limpeza completa, com remoção de resíduos que possam conter sementes da praga.

    Além disso, os técnicos orientam sobre os procedimentos em caso de suspeita, incluindo coleta de amostras e eventual contenção do foco, caso a presença seja confirmada.

    “Nesse sentido, realizamos a orientação ao produtor, promovendo a educação sanitária. Buscamos integrá-lo ao sistema de defesa agropecuária, pois entendemos que ele é parte fundamental desse processo, assim como transportadores e demais envolvidos, formando uma engrenagem que visa impedir a introdução e possível disseminação dessa praga no Rio Grande do Sul”, ressaltou Alonso.

    Segundo a chefe da Divisão de Defesa Sanitária Vegetal, Deise Feltes Riffel, a atuação será concentrada no Alto Uruguai, sem descuidar das demais regiões.

    “Priorizamos a região do Alto Uruguai, na divisa com o foco inicial, devido à proximidade [com a divisa], mas não vamos descuidar da vigilância nas demais regiões, já que a praga também está presente na Argentina e no Uruguai. Os produtores devem estar atentos, assim como o órgão estadual”, enfatizou.

    Disseminação rápida e resistência

    O caruru-gigante chama atenção pela rápida disseminação, elevada produção de sementes e resistência a diferentes herbicidas — fatores que tornam o controle mais complexo.

    A espécie foi identificada pela primeira vez no Brasil em 2015, no Mato Grosso, com registros posteriores no Mato Grosso do Sul, em 2022. Até o momento, os casos em São Paulo e Santa Catarina são considerados pontuais e seguem sob controle fitossanitário.

    Medidas preventivas

    O DDV orienta que produtores adotem medidas como o uso de sementes certificadas, limpeza de máquinas e monitoramento frequente das lavouras. O trânsito de equipamentos vindos de áreas com ocorrência da praga deve ser evitado, já que essa é uma das principais formas de disseminação.

    Em caso de suspeita, a recomendação é não manejar a área e comunicar imediatamente os órgãos de defesa sanitária vegetal.

    Medidas para erradicação e contenção

    • Interdição da área infestada;

    • Proibição do trânsito de solo, material vegetal e resíduos;

    • Remoção e destruição das plantas;

    • Levantamento de delimitação em áreas vizinhas e em propriedades que compartilharam máquinas e implementos.

    • Características da planta

    Entre os principais pontos de atenção:

    • Alta adaptação a ambientes quentes;

    • Crescimento acelerado, podendo ultrapassar 5 cm por dia;

    • Espécie dióica, com plantas masculinas e femininas separadas;

    • Produção de 200 mil a 1 milhão de sementes por planta;

    • Sementes pequenas e de fácil dispersão;

    • Folhas com possível mancha esbranquiçada em “V” invertido;

    • Alta resistência a herbicidas.

    • Avanço em São Paulo acende alerta

    SP e SC em alerta

    Em fevereiro, o Ministério da Agricultura e Pecuária confirmou a presença do Amaranthus palmeri na regional de São José do Rio Preto, em São Paulo.Em março, a Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) confirmou a detecção de um foco em uma propriedade rural no município de Campo Erê, no Oeste catarinense. As medidas de controle e contenção do foco estão sendo adotadas no campo, de forma integrada.

    A detecção ampliou o mapa da praga no país e acendeu o alerta em estados vizinhos, como o Paraná, que já reforçou barreiras para conter o avanço da espécie.

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