Conflitos globais e disputa entre potências reduzem margem de manobra do agro brasileiro

Especialista avalia que guerras, protecionismo europeu e tensões entre China e Estados Unidos ampliam incertezas, elevam custos e dificultam avanços comerciais do Brasil no agro

Conflitos globais e disputa entre potências reduzem margem de manobra do agro brasileiro
22deMaiode2026ás11:51

Guerras, tensões comerciais entre grandes potências e o avanço do protecionismo europeu estão reduzindo a capacidade de negociação do Brasil no comércio agrícola global e ampliando as incertezas para o agronegócio. A avaliação é do professor de Relações Internacionais da Universidade Anhembi Morumbi, João Estevam.

Segundo ele, o atual cenário geopolítico pressiona cadeias produtivas, aumenta custos logísticos e limita o espaço de negociação de economias emergentes como o Brasil, especialmente em setores estratégicos ligados às commodities agrícolas.

“Com a perspectiva de continuidade do conflito no Oriente Médio, é perceptível que há um aumento nos custos generalizados das cadeias produtivas globais, inclusive das commodities. Então, a gente consegue ver uma perspectiva de aumento principalmente nos custos de comercialização, mas também uma possibilidade de aumento das receitas, do valor desses produtos”, afirmou.

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O movimento reforça a percepção de maior volatilidade no comércio internacional de commodities agrícolas em meio ao avanço das tensões geopolíticas.

Dependência da China segue sem alternativa no curto prazo

Para João Estevam, o Brasil continua altamente dependente da China na exportação de commodities e ainda não há sinais concretos de redução dessa dependência.

“É inegável hoje que o Brasil é extremamente dependente da China na comercialização das commodities, dos bens primários como um todo, e seria extremamente positivo para o país não depender de um único mercado consumidor”, disse.

Apesar disso, ele pondera que poucos países possuem capacidade semelhante de absorver os volumes exportados pelo Brasil.

“A questão é que existem poucos países com capacidade de absorver em proporção semelhante (ou com valor semelhante) os bens primários produzidos aqui no Brasil. Então, ainda mais no contexto de conflito armado internacional, em várias partes do globo, além da instabilidade também dos mercados, infelizmente, no curto prazo é muito difícil perceber ou enxergar alguma diminuição na dependência brasileira para a exportação de commodities.”