Batata vira vilã nas Ceasas e preço dispara quase 58% em maio

    Fim da safra das águas e início ainda incipiente da safra de inverno reduziram a oferta do tubérculo; banana e alface tiveram queda nas cotações

    Batata teve alta de 57,95% na média ponderada das Ceasas em maio, segundo a Conab.

    Batata teve alta de 57,95% na média ponderada das Ceasas em maio, segundo a Conab.

    23deJunhode2026ás09:55

    A batata registrou a maior alta entre as hortaliças comercializadas nas Centrais de Abastecimento (Ceasas) do país em maio.

    O preço médio do tubérculo subiu 57,95% na média ponderada das unidades analisadas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

    O fim da safra das águas e o início ainda incipiente da safra de inverno reduziram a oferta. Minas Gerais, maior produtor do país, registrou a maior elevação, de 84,44%. Santa Catarina foi o único estado com queda, encerrando o período com preços médios 1,66% inferiores aos de abril.

    Os dados foram divulgados pela Conab nesta terça-feira (23), na 6ª edição do Boletim Hortigranjeiro, no âmbito do Programa Brasileiro de Modernização do Mercado Hortigranjeiro (Prohort).

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    Enquanto a batata liderou as altas, banana e alface apresentaram queda na média ponderada de maio na maior parte das Ceasas.

    Para a fruta, a redução no atacado foi de 4,89%; para a hortaliça, de 1,94% em comparação com abril.

    Hortaliças

    A retração da demanda, típica da redução do consumo de hortaliças folhosas no inverno, contribuiu para a queda dos preços da alface em quase todas as Ceasas.

    As menores cotações foram registradas em Belo Horizonte/MG (-27,98%), Vitória/ES (-25,71%) e Rio de Janeiro/RJ (-25,20%).

    A oferta do vegetal também ficou 10,8% abaixo da registrada em abril.

    Em alta nos dois últimos meses, a cenoura apresentou estabilidade em maio, com queda de 0,63% na média ponderada dos preços. Apesar de aumentos inferiores a 7% em metade das Ceasas monitoradas, foram registradas reduções mais intensas em Fortaleza/CE (-33,12%) e em São José/SC (-15,54%).

    Com a intensificação da safra de inverno e a recuperação da oferta, principalmente a partir de Minas Gerais, os próximos meses devem ser de diminuição nos preços.

    Mesmo em patamar menor do que nos meses anteriores, os preços da cebola seguiram em alta pelo terceiro mês consecutivo, com crescimento de 12,53% na média ponderada. Os preços médios oscilaram entre queda de 5,09% em Recife/PE e aumento de até 21,62% em Campinas/SP.

    A dinâmica é explicada pela redução da oferta nacional, especialmente dos envios de Santa Catarina, que ficaram 35% abaixo do registrado em abril.

    Para o tomate, o aumento na média ponderada foi de 19,85%, com variação entre queda de 11,38% em Vitória/ES e alta de 42,38% em Recife/PE.

    O movimento pode ser explicado pelo maior controle da oferta pelos produtores, possibilitado pelas temperaturas mais baixas nas regiões produtoras, que retardam a maturação dos frutos e permitem reduzir o ritmo da colheita.

    Frutas

    Os preços da banana caíram 4,89% na média ponderada das Ceasas monitoradas. A dinâmica foi influenciada pelas boas condições de produção, especialmente da variedade nanica, que contribuíram para o aumento da oferta e da qualidade do produto.

    Na Ceasa de Campinas/SP, os preços médios caíram 13,27% em relação a abril. Diante da demanda estável e do bom escoamento ao longo de maio, apenas Fortaleza/CE registrou incremento de 6% na média mensal de preços.

    A maçã manteve a tendência observada nos dois últimos meses e encerrou maio com queda de 5,53% na média ponderada dos entrepostos monitorados. A região Centro-Sul concentrou as principais reduções, com a menor cotação apurada no Rio de Janeiro (-12,65%).

    Embora tenham apresentado leve alta na média ponderada das Ceasas monitoradas, melancia e laranja registraram redução no preço médio individual na maior parte das centrais que compõem a amostra.

    Em comparação com abril, a melancia ficou mais barata em 70% das unidades de abastecimento avaliadas, embora tenha registrado alta de 3,37% na média ponderada geral. O aumento mais expressivo foi observado no Rio de Janeiro (72%), devido à maior comercialização de minimelancias, que têm maior valor comercial.

    Nas Ceasas de Recife/PE e Fortaleza/CE, foram registrados preços até 17% menores. As cotações da fruta sofrem interferência da redução da demanda, provocada pelas temperaturas mais baixas do inverno nos centros consumidores do Sul e Sudeste.

    Para a laranja, os níveis razoáveis dos estoques e a diminuição da demanda externa explicaram o movimento das cotações, que encerraram o mês com média ponderada 1,42% superior à de abril.

    Com o aumento do fornecimento por São Paulo, Bahia e Sergipe, maiores produtores do país, a oferta tende a crescer. As maiores quedas nos preços de atacado foram observadas em São Paulo (-10,93%) e São José/SC (-10,03%).

    Entre as frutas analisadas, o mamão registrou o maior aumento percentual, de 7,49% na média ponderada. A queda mais expressiva foi registrada no Rio de Janeiro/RJ (-23,60%), enquanto os maiores aumentos ocorreram em Fortaleza/CE (67,42%) e Vitória/ES (51,11%).

    A diminuição da oferta da variedade formosa e dos envios provenientes do sul da Bahia e do norte do Espírito Santo explica o cenário.

    Exportações

    O volume total das exportações até maio de 2026 registrou alta de 14,1% em relação aos primeiros cinco meses de 2025, com faturamento de US$ 663,4 milhões.

    O país enviou 555,77 mil toneladas ao exterior, com destaque para as frutas, principalmente maçã, abacate, pêssego, melancia, manga e melão.

     

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