Líder do MST diz em CPI que invasão da Embrapa foi um erro

    João Pedro Stédile prestou depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito

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    Stédile defendeu o MST e a reforma agrária durante seu depoimento

    Stédile defendeu o MST e a reforma agrária durante seu depoimento

    16deAgostode2023ás10:18

    Principal liderança do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), João Pedro Stédile, prestou depoimento ontem (dia 15) na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga os atos de invasão de terras no país, da Câmara dos Deputados.

    Durante seu depoimento, ele avaliou que foi um erro a invasão às terras da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em Pernambuco, no dia 31 de julho. No entanto, disse que cada acampamento do MST tem autonomia para decidir como agir.

    “Foi um erro, um equívoco entrar na Embrapa. Mas eles decidiram porque era a área pública mais próxima e entraram na Embrapa não para reivindicar a área da Embrapa, entraram na Embrapa para chamar a atenção da opinião pública e conseguiram”, explicou para continuar.      

    “Quem vai lá dizer para as famílias acampadas: ‘Espere, espere, espere que o governo Lula vai resolver’? Cada acampamento tem autonomia do que faz”, declarou.

    Stédile concordou que existem erros dos movimentos nas invasões. “Às vezes, eles exageram e erram, mas eles têm o direito de decidir. Nenhuma instância nacional decidiu que eles deviam ir”, afirmou.

    Durante a invasão na Embrapa, o movimento acusou o Governo Lula de descumprir acordos pela reforma agrária. Segundo o movimento, a ocupação teve como objetivo de "chamar a atenção das autoridades sobre a emergência da implementação da Reforma Agrária, considerando que desde as negociações com os órgãos competentes, não houve avanço nas pautas e os acordos ficaram estagnados."

    Após acordo e retomada do diálogo com o governo, o movimentou desocupou a área um dia depois da invasão.

    Entre os pontos acertados naquele momento, segundo o movimento, estavam a realização de vistorias e desapropriação de áreas na região, como de usinas falidas, para construção de assentamentos; evitar despejos de assentamentos instalados na Zona da Mata Sul; implantação de projetos para comercialização de alimentos produzidos em áreas de reforma agrária e recriação da superintendência do Incra em Petrolina.

    Na CPI

    Ainda em depoimento na CPI, Stédile defendeu o MST e a reforma agrária e foi indagado pelo relator Ricardo Salles (PL-SP) sobre denúncias de corrupção em assentamentos relatadas por assentados à CPI. O líder do movimento afirmou desconhecer tais casos e, portanto, não pode confirmar sua veracidade.

    “Levem os casos para a delegacia. Nós temos interesse em apurar desvios”, disse.

    Em seguida, Stédile foi questionado pelo primeiro vice-presidente da CPI, Kim Kataguiri (União-SP), em relação aos depoimentos e provas que o colegiado teve acesso em relação aos casos do MST no Distrito Federal, no Goiás e na Bahia, e também em relação à invasão de fazendas produtivas invadidas pelo MST.

    O líder do MST afirmou que o movimento não pode concordar com nenhuma prática de violência.

    “Se isso que estão descrevendo for verdade, eu lamento. Onde há crimes, nós temos uma legislação e o judiciário tem que julgar”, afirmou.

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