Agro brasileiro está mais feliz com vitória de Trump que o americano
Disputa com a China pode abrir "avenida" para as exportações brasileiras
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O candidato republicano Donald Trump, de 78 anos, foi eleito novamente presidente dos Estados Unidos.
A vitória foi anunciada por volta das 7h30 desta quarta-feira, após Trump conquistar o estado-chave de Wisconsin e ultrapassar os 270 delegados necessários – uma margem inalcançável para sua adversária, a democrata Kamala Harris, mesmo sem a totalização das cédulas no país.
A notícia teve repercussão global, com líderes mundiais parabenizando o republicano.
Além de Wisconsin, Trump obteve vitórias em outros estados decisivos, como Pensilvânia, Carolina do Norte e Geórgia, e está à frente em Michigan, Nevada e Arizona. Esse triunfo marca seu retorno ao poder após quatro anos, desde que perdeu para o democrata Joe Biden em 2020.
Trump é o segundo presidente a retomar o cargo na história americana, após Grover Cleveland (1885-1889 e 1893-1897). Ele assume a presidência em 20 de janeiro de 2025 e contará, nos primeiros dois anos de governo, com o apoio de uma maioria republicana no Congresso.
Antes do anúncio oficial, Trump discursou na Flórida como presidente eleito e prometeu uma nova "era de ouro da América".
“Eu não vou descansar até devolver uma América segura e próspera. Essa será a era de ouro da América”, afirmou, segundo o G1.
Em seu discurso, Trump destacou que recebeu um “mandato poderoso e sem precedentes” e classificou a vitória como “o maior movimento político de todos os tempos”.
Ele também se comprometeu a fechar as fronteiras, reduzir impostos, cortar o déficit e unir o país. Agradeceu ao vice na chapa, J.D. Vance, e expressou admiração por Elon Musk.
Trump prometeu resolver "tudo que está errado" nos Estados Unidos, começando pela segurança nacional e pela fronteira.
"Nosso país precisa de ajuda urgente, e agora vamos trabalhar para curá-lo", disse. Ele enfatizou o compromisso de dar uma “volta por cima” na economia, com a redução do déficit e a promessa de cortes de impostos.
Efeito nos mercados e no agro
A vitória de Trump provocou uma rápida valorização do dólar, especialmente nas primeiras horas desta quarta-feira, que já foi apelidada de “Trump trade”.
Às 8h20, o dólar subia 1,51% no índice DXY, atingindo 104,98 pontos. Essa alta impacta os exportadores globais e pode pressionar os preços das commodities agrícolas, fazendo com que suas cotações recuem no mercado global.
Chris Trant, chefe do Departamento de Agricultura dos EUA na Hedgepoint, já havia previsto que uma vitória de Trump poderia afetar o setor agrícola.
Trump é conhecido por adotar políticas comerciais protecionistas, desregulamentação ambiental e renegociações agressivas de acordos internacionais.
“Durante seu mandato anterior, essa política agressiva gerou uma guerra comercial com a China em 2018, levando à queda nas exportações americanas de soja”, explicou Trant, apontando que o Brasil se beneficiou ao se tornar o principal fornecedor de soja para a China.
Com Trump novamente na presidência, Trant sugere que uma postura similar poderia reacender a tensão comercial com a China. Embora o Brasil continue sendo o maior exportador de soja para o país asiático, uma nova guerra comercial pode abrir oportunidades para o agronegócio brasileiro, ao mesmo tempo que traz instabilidade para o comércio global.
Agenda para o agro
Entre as propostas de Trump para o setor agrícola estão: redução das taxas de juros e dos custos de energia para os produtores, reversão de regulamentações adotadas na gestão Biden, controle mais rígido sobre a imigração nas fazendas e aumento de tarifas sobre importações.
Welber Barral, sócio da BMJ Consultores, lembra que o Brasil, embora concorrente em algumas commodities como a soja, pode ser indiretamente beneficiado pela política protecionista de Trump. “Se Trump adotar sanções contra a China, a soja brasileira pode ganhar espaço no mercado asiático”, avaliou Barral ao jornal Estado de São Paulo.
Mapa nos EUA
Em março, uma missão do Ministério da Agricultura brasileiro esteve em Washington, onde foram discutidas ações para fortalecer o setor agropecuário entre Brasil, Estados Unidos e Canadá. Em comemoração aos 200 anos de relações diplomáticas entre Brasil e EUA, houve diálogos com empresários e diplomatas para promover o agro brasileiro e atrair investimentos.
O setor agrícola brasileiro registrou exportações de US$ 9,82 bilhões para os EUA no ano passado, colocando o país como segundo maior parceiro comercial dos americanos em produtos agrícolas.
Agora as negociações serão mais complicadas, avaliam membros do governo.
Lula deu parabéns
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) parabenizou Trump nas redes sociais.
“Meus parabéns ao presidente Donald Trump pela vitória eleitoral e retorno à presidência dos Estados Unidos. A democracia é a voz do povo e ela deve ser sempre respeitada. O mundo precisa de diálogo e trabalho conjunto para termos mais paz, desenvolvimento e prosperidade. Desejo sorte e sucesso ao novo governo”.
Na semana anterior, em entrevista a um veículo francês, Lula havia expressado apoio à candidata democrata Kamala Harris.
E o clima?
Trump promete acabar com o "Green New Deal" e criticou as políticas ambientais vigentes, que, segundo ele, aumentaram o custo da energia no país.
O republicano se opõe à agenda de neutralização de emissões de poluentes e já declarou que considera o aquecimento global “uma das maiores fraudes de todos os tempos”.
Durante seu primeiro mandato, Trump retirou os Estados Unidos do Acordo de Paris, e espera-se que ele possa repetir a medida, promovendo o uso de combustíveis fósseis.