Pressão inflacionária faz Copom elevar a Selic para 11,25%

    Decisão foi influenciada pela alta do dólar e preço dos alimentos

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    Pressão inflacionária faz Copom elevar a Selic para 11,25%
    07deNovembrode2024ás09:42

    O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu, de forma unânime, aumentar a taxa básica de juros, a Selic, em 0,5 ponto percentual, levando-a a 11,25% ao ano. 

    A medida, impulsionada pela alta do dólar e pelas incertezas econômicas globais, já era esperada pelo mercado.

    Esse ajuste sinaliza a continuidade de uma política monetária contracionista. A Selic, que esteve em 13,75% ao ano entre agosto de 2022 e agosto de 2023, foi reduzida ao longo de seis cortes de 0,5 ponto e um de 0,25 ponto, até alcançar 10,5% em maio deste ano. 

    Após mantê-la em 10,5% nas reuniões de junho e julho, o Copom voltou a subir a taxa em setembro e agora intensifica o movimento.

    Em comunicado, o Copom destacou a crescente incerteza econômica nos Estados Unidos, sem mencionar diretamente a eleição de Donald Trump, mas sinalizando as preocupações com a desaceleração econômica e a postura do Federal Reserve (Fed). 

    No Brasil, o Banco Central reforçou a necessidade de ajustes fiscais, afirmando que uma política fiscal responsável, voltada à sustentabilidade da dívida pública, é essencial para estabilizar as expectativas inflacionárias e reduzir o risco dos ativos financeiros.

    Inflação e o papel da Selic

    A Selic é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em setembro, o IPCA subiu para 0,44%, pressionado pela alta nos preços de energia e alimentos, impactados pela seca. 

    Esse aumento colocou o índice acumulado em 4,42% nos últimos 12 meses, aproximando-se do teto da meta.

    O Conselho Monetário Nacional (CMN) definiu a meta de inflação para 2024 em 3%, com margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, ou seja, entre 1,5% e 4,5%. 

    O último Relatório de Inflação do BC, divulgado em setembro, já havia elevado a previsão do IPCA para 4,31% em 2024, com a perspectiva de novos aumentos devido à alta do dólar e à seca prolongada. 

    Para 2024, a estimativa agora é de 4,6%, ultrapassando o teto da meta, com projeções de 3,9% para 2025 e 3,6% até o primeiro trimestre de 2026.

    Impactos no crédito e crescimento

    O aumento da Selic também encarece o crédito, desestimulando o consumo e a produção, o que pode enfraquecer o crescimento econômico. 

    Ao elevar a Selic, o BC busca conter a demanda para aliviar a pressão sobre os preços, enquanto uma redução da taxa estimula o crédito e o consumo, mas pode comprometer o controle inflacionário.

    Em seu mais recente relatório, o Banco Central ajustou a previsão de crescimento econômico para 3,2% em 2024, após uma expansão de 3,1% do PIB neste ano. 

    A taxa Selic, por sua vez, é referência para as demais taxas de juros da economia e desempenha um papel crucial na política de estabilização econômica do país.

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