Cotação da soja tem semana de sobe e desce, mas termina no azul

    Trump, redução das "retenciones", clima e dólar protagonizaram fortes oscilações

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    Cotação da soja tem semana de sobe e desce, mas termina no azul
    24deJaneirode2025ás15:28

    A semana foi marcada por oscilações nos preços da soja, tanto no mercado interno quanto na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), mas terminou com saldo positivo para os produtores brasileiros.

    No mercado interno, as cotações refletiram a alta nos contratos futuros em Chicago, apesar do recuo do dólar.

    O indicador do Cepea indicou a saca de soja a R$ 133,80 na última quinta-feira (dia 23) em Paranaguá, após oscilações bruscas para cimas e para baixo.

    A saca de 60 quilos registrou valorizações em diversas regiões:

    • Passo Fundo (RS), subiu de R$ 132,00 para R$ 137,00; 
    • Cascavel (PR), passou de R$ 123,00 para R$ 128,00; 
    • Porto de Paranaguá, aumentou de R$ 132,00 para R$ 134,00. 
    • Apenas em Rondonópolis (MT) o preço permaneceu estável, na casa de R$ 116,50.

    Em Chicago, os contratos com vencimento em março acumularam alta de 1,84% na semana, fechando a sexta-feira (24) cotados a US$ 10,53 por bushel. O tempo seco na Argentina foi um dos principais fatores de suporte para os preços.

    A Bolsa de Cereais de Buenos Aires revisou para baixo sua estimativa de produção de soja no país, reduzindo a projeção para 49,6 milhões de toneladas.

    Analistas destacam que o comportamento moderado dos mercados internacionais, combinado com as condições climáticas adversas nos principais produtores globais, deve manter os preços da soja em um patamar elevado nas próximas semanas.

    "A combinação de incertezas climáticas, medidas fiscais na Argentina e uma política comercial americana menos agressiva cria um ambiente favorável para a soja", afirmou um operador de mercado.

    Trump moderado

    Outro fator que movimentou o mercado foi a postura moderada adotada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em relação à política de tarifas.

    Durante a semana, Trump sinalizou com uma taxa de 10% sobre a China, mas analistas consideraram o gesto um indicativo de que o atual governo americano pode adotar uma abordagem mais negociadora em relação ao comércio internacional.

    Isso reduziu as expectativas de uma migração acelerada da demanda chinesa para a América do Sul, tranquilizando parcialmente os mercados.

    No entanto, o mercado brasileiro enfrentou desafios adicionais com a suspensão das compras chinesas em cinco unidades de empresas brasileiras. Essa decisão, na teoria, poderia beneficiar os Estados Unidos, mas seu impacto foi parcialmente compensado pela alta acumulada em Chicago e pelos movimentos climáticos adversos nos principais países produtores.

    Menos retenciones

    Na sexta-feira, os contratos em Chicago realizaram lucros após o anúncio da redução das tarifas de exportação - as famosas "retenciones" - pela Argentina. 

    O ministro da Economia argentino, Luis Caputo, anunciou a diminuição temporária das "retenciones" – os impostos sobre exportações – até 30 de junho.

    As tarifas da soja foram reduzidas de 33% para 26%, enquanto os derivados caíram de 31% para 24,5%. Outros produtos, como trigo, milho e girassol, também tiveram reduções significativas.

    A medida, segundo Caputo, é um "sinal de apoio ao setor", embora não seja permanente devido à falta de recursos fiscais.

    O país sofre com a estiagem e o calor, que podem impactar fortemente a produção.

    Clima afeta RS e MT

    A preocupação com condições climáticas também está presente no Brasil: no Rio Grande do Sul, a falta de chuvas impacta negativamente, enquanto no Mato Grosso, o excesso de precipitações tem atrasado a colheita.

    O comportamento dos preços na semana também foi influenciado pelas estimativas de produção no Brasil. O atraso na colheita no Mato Grosso e as previsões climáticas no Sul do país adicionaram volatilidade ao mercado.

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