Fávaro e FPA veem taxações de Trump como boas para o agro
Política econômica dos EUA acirra tensões globais
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A intensificação da guerra comercial entre Estados Unidos e China, marcada por novas tarifas de ambos os lados, gera incerteza na economia global, mas pode abrir oportunidades para o agronegócio brasileiro.
Essa é a visão do ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, e do presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado Pedro Lupion (PP-PR).
Para Fávaro, a política comercial do presidente Donald Trump pode representar um cenário favorável ao Brasil.
"Entendemos essa movimentação norte-americana, com o governo Trump, talvez como uma oportunidade. O Brasil está preparado para produzir com competitividade e suprir essa demanda", afirmou o ministro.

Ele destacou que o Brasil se consolidou como um grande provedor de alimentos no mercado internacional, impulsionado pela força da agroindústria nacional.
"Há dois anos, a China, diante de uma crise sanitária com a peste suína, precisou erradicar parte do seu rebanho. O Brasil foi fundamental para abastecer a população chinesa", lembrou.
Sobretaxas
Em entrevista ao Jornal Jovem Pan, na terça-feira (4), Pedro Lupion reforçou que as tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos à China, assim como as retaliações chinesas, podem beneficiar o Brasil.
No entanto, o deputado alertou que o país também pode ser alvo da política protecionista americana.
"O Partido Republicano sempre teve essa postura de proteção ao setor agropecuário. Temos uma boa relação comercial com a China e disputamos espaço com os Estados Unidos. As barreiras impostas pelos americanos, com resposta imediata dos asiáticos, podem abrir oportunidades de mercado para nós", explicou Lupion.
Sobre os setores mais impactados, ele apontou que os americanos devem priorizar a proteção da indústria de etanol de milho, usada como principal fonte energética nos Estados Unidos.
Segundo Lupion, o Brasil tem exportado volumes superiores de milho em comparação aos norte-americanos, que estariam segurando sua produção para a fabricação de biocombustíveis.
"Eles querem proteger o setor de etanol de milho e veem o suco de laranja como um grande problema, já que dominamos 80% desse mercado mundial. Acredito que teremos alguma imposição tarifária, pois eles costumam ser agressivos nas negociações", analisou o parlamentar.
Trump impõe tarifas, China responde
Desde que assumiu a presidência, Donald Trump tem reforçado sua postura protecionista, impondo tarifas a seus principais parceiros comerciais — China, Canadá e México — o que gerou retaliações.
Nesta terça-feira (4), a China anunciou tarifas sobre combustíveis, veículos e máquinas agrícolas dos Estados Unidos, em resposta à nova taxa adicional de 10% imposta por Trump sobre produtos chineses.
O Ministério das Finanças chinês determinou tarifas de 15% sobre carvão e gás natural liquefeito (GNL) dos EUA e de 10% sobre petróleo bruto, equipamentos agrícolas e alguns modelos de automóveis. Pequim justificou a medida como reação ao "aumento unilateral de tarifas" promovido pelos Estados Unidos.
Diferente da China, Canadá e México adotaram estratégias distintas. Após negociações diretas com Trump, ambos recuaram.
O presidente americano havia imposto tarifas de 25% sobre produtos desses países, mas suspendeu a medida por 30 dias em troca de reforço na segurança das fronteiras para conter o tráfico de fentanil.
Na segunda-feira (3), o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, anunciou tarifas retaliatórias sobre produtos dos EUA, atingindo setores como bebidas alcoólicas, alimentos e eletrodomésticos. Entretanto, um acordo foi fechado e as sanções foram retiradas.
Já o México prometeu represálias, mas também recuou.
O país concordou em reforçar sua fronteira norte com 10 mil agentes da Guarda Nacional para conter a imigração ilegal e o tráfico de drogas, enquanto os EUA se comprometeram a dificultar o contrabando de armas para o território mexicano.