Casou, mudou-se para Sinop e virou referência na produção de soja
Dedicação, coragem, superação e sonho são marcas da trajetória do produtor brasileiro
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Natural de Santo Cristo, Rio Grande do Sul, ele e sua esposa, Helena Bender Riffel, mudaram para MT em 1989. (Foto - Bruno Lopes)
A trajetória de muitos produtores brasileiros de sucesso no agronegócio mistura dedicação, coragem, superação e sonho. Com Célio Riffel, produtor rural em Sinop, Mato Grosso, não foi diferente. A dele ainda teve uma pitada de amor não só pelo agro.
Natural de Santo Cristo, no Rio Grande do Sul, Célio se mudou para o Mato Grosso em 1989, recém-casado com Helena Bender Riffel, em busca de novas oportunidades.
“Viemos em busca de um novo horizonte, expandir área, porque no Sul já estava muito saturado. Aqui em Mato Grosso, haviam pessoas que saíram de Santo Cristo e diziam que aqui tinha terra boa, terra plana, e viemos atrás disso. E, graças a Deus, deu tudo certo", conta.
A ligação de Célio com o campo começou cedo.
“Eu comecei a ser um produtor muito novo. Lá com 13, 14 anos já ajudava meu pai nas lidas, dirigindo trator. Quando me mudei para o Mato Grosso, com 20 anos, comecei com dificuldades, mas a persistência e o amor pelo que faço me trouxeram até aqui. Hoje, é com orgulho que vejo a continuidade do trabalho no campo, com meu filho ao meu lado", diz.
Das primeiras lidas ao sonho no Mato Grosso
Os primeiros anos em Mato Grosso, no entanto, foram marcados por dificuldades.
O estado ainda estava em expansão, e a infraestrutura precária desafiava o dia a dia.
“Lá no Sul morávamos a 5 km da cidade, já aqui eram 53 km, com 32 km de estrada de chão, sem energia elétrica, que só chegou em 2003. Foram 14 anos morando sem energia. Na época da chuvarada, levávamos 3 horas para chegar em Sinop, e carro pequeno nem passava”, relembra Célio.
Além da distância e das condições das estradas, a falta de escoamento da produção e as promessas não cumpridas de melhorias, como a pavimentação da BR-163, agravavam os desafios.
“O preço da soja era muito inferior. Hoje, mesmo com a margem apertada, melhorou bastante depois do escoamento pelo Arco Norte”, explica.

Persistência e legado familiar
Apesar das dificuldades, Célio nunca cogitou desistir. “Nunca pensamos em desistir. Claro que tivemos momentos difíceis, com preços baixos e falta de escoamento, mas nossa determinação sempre foi maior", afirma.
A paixão pela lavoura atravessa gerações.
“Eu já vim do Sul e fui morar direto na fazenda, na época era tudo mato. Sempre morei aqui, os filhos nasceram aqui, e hoje meu filho Jonas, que está há muitos anos comigo na lavoura, já segue meu caminho. Ele tem 33 anos e começou aos 16. Foi pegando experiência e seguindo na lida”, conta com orgulho.
Para Célio, o maior prêmio é ver o filho dando continuidade ao legado.
"Isso é o que todo pai espera, os filhos seguirem os passos da gente. É um orgulho muito grande ver que tem para quem deixar as coisas. Lutamos lá atrás e teremos sequência nessa história", afirma.

Referência no agronegócio
Hoje, com 56 anos e mais de três décadas em Mato Grosso, Célio Riffel é uma referência entre os produtores do estado, fruto de trabalho árduo e perseverança.
Associado há anos à Associado da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), ele simboliza o espírito de milhares de agricultores que ajudaram a transformar Mato Grosso em potência agrícola.