Taxa zero a importados impacta menos de 1% no gasto dos brasileiros com alimentos
Brasil já possui alguns dos preços mais baixos do mundo para a maioria dos itens beneficiados

A isenção de impostos de importação para nove produtos da Cesta Básica poderia impactar em menos de 1% do total gasto (0,998%) pelos brasileiros com alimentos.
O cálculo considera o valor total de US$ 1,7 bilhão (cerca de R$ 9.8 bilhões) das importações de tais itens, segundo levantamento do Poder 360, e o gasto geral dos brasileiros com alimentos de cerca de R$ 1 trilhão apurado pela IPC Maps no ano de 2024.
Por exemplo, o item com maior valor importado foi o azeite de oliva, totalizando US$ 780,5 milhões, ainda assim inferior a 0,4518% do gasto total dos brasileiros com alimentação.
Já sobre café, o Brasil gastou US$ 89,5 milhões com importações, o que representa 0,0518% do total gasto com alimentação.
O açúcar importado correspondeu a 0,0387% dos gastos, enquanto a carne bovina, com US$ 305 milhões importados, representou 0,1766% do valor total gasto com alimentação no país.
Enfim, a participação individual desses produtos nas importações de 2024 foi mínima, apesar de apoio de entidades do setor de supermercados, proteína animal e outras.
Segundo Pedro Lupion, presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), isso ocorre justamente porque o Brasil já possui alguns dos preços mais baixos do mundo para a maioria dos itens beneficiados com a isenção.
“Ninguém produz mais café que o Brasil. Também temos o preço da carne bovina mais barato do mundo. E no açúcar também. O erro do governo é favorecer nossos concorrentes ao invés de estimular a produção aqui”, disse.
Para ele, as medidas tem um objetivo importante, mas serão ineficazes. A bancada ruralista havia apresentado 20 sugestões ao governo na última semana.
“O problema é o gasto do governo que eleva o juros, que gera aumento de custos e inflação. O governo deveria zerar as importações de insumos agrícolas. Isso beneficiaria toda a cadeia e baratearia os alimentos”, acrescentou.
Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados, acredita que a isenção terá mais efeito de marketing do que impacto real nos preços, especialmente para produtos amplamente produzidos no mercado interno, como café e carnes.
Qual o impacto da medida?
Confira a participação dos produtos importados isentos no gasto total com alimentação dos brasileiros em 2024, que é estimado em cerca de R$ 1 trilhão:
- Azeite: R$ 4,52 bilhões (0,45% do total)
- Carne bovina: R$ 1,77 bilhão (0,18%)
- Milho não moído: R$ 1,69 bilhão (0,17%)
- Café: R$ 518 milhões (0,05%)
- Açúcares e melaços: R$ 474 milhões (0,047%)
- Massas alimentícias: R$ 354 milhões (0,035%)
- Óleo de girassol: R$ 252 milhões (0,025%)
- Biscoito: R$ 152 milhões (0,015%)
- Sardinha: R$ 75 milhões (0,0075%)
Total geral: R$ 9,98 bilhões (0,998% do total gasto com alimentação no Brasil).
Medidas mais drásticas
O presidente Lula afirmou nesta sexta-feira (7) que não descarta uma medida mais drástica para conter o preço dos alimentos que, segundo ele, é motivo de preocupação.
"A gente não quer brigar com ninguém, a gente quer encontrar uma solução pacífica, sem nada. Mas, se a gente não encontrar, a gente vai ter que tomar atitude mais drástica porque o que interessa é levar a comida barata para a mesa do povo brasileiro", afirmou.
O receio do setor, e do próprio ministro Carlos Fávaro, é a adoção de medidas “extravagantes” como, por exemplo, a taxação de exportações.
O governo também anunciou o fortalecimento dos estoques reguladores da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e a priorização de alimentos da cesta básica no próximo Plano Safra.
Além disso, pretende acelerar o Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (SISBI-POA) para ampliar a oferta de produtos como leite, mel, ovos e carnes no mercado nacional.
As medidas foram divulgadas após reuniões entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice-presidente Geraldo Alckmin e ministros, refletindo a preocupação do governo em conter a inflação dos alimentos e aliviar o impacto nos consumidores.
