Lula vai ao Japão para tentar destravar exportação de carne bovina brasileira

    Presidente também viaja ao Vietnã para estreitar relações com país asiático

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    Lula vai ao Japão para tentar destravar exportação de carne bovina brasileira
    17deMarçode2025ás10:37

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca em uma missão internacional entre os dias 24 e 29 de março, com visitas ao Japão e Vietnã.

    No Japão, um dos principais objetivos será destravar a entrada da carne bovina brasileira no mercado japonês, um pleito histórico do Brasil. Além disso, Lula tentará avançar nas tratativas para um acordo comercial entre o Japão e o Mercosul.

    Já no Vietnã, o foco será estreitar os laços bilaterais e elevar o status do país ao nível de Parceiro Estratégico do Brasil. Atualmente, entre as nações do Sudeste Asiático, apenas a Indonésia possui essa classificação.

    O primeiro destino da viagem será Tóquio, onde Lula desembarca em 24 de março. Segundo o Itamaraty, a visita reforça o prestígio do Brasil, já que o  governo japonês costuma restringir encontros de alto nível a apenas um chefe de Estado estrangeiro por ano.

    Desde 2019, quando o então presidente dos Estados Unidos Donald Trump  esteve no Japão, nenhuma outra visita oficial de chefe de Estado foi realizada no país.

    "Isso demonstra a importância da relação Brasil-Japão, que já soma 130 anos", destacou o embaixador Eduardo Paes Saboia, secretário de Ásia e Pacífico do Ministério das Relações Exteriores (MRE).

    Parceiro comercial

    O Japão é o segundo maior parceiro comercial do Brasil na Ásia, atrás apenas da China, e o 11º no ranking global. O país abriga também a quinta maior comunidade brasileira no exterior, com cerca de 200 mil imigrantes.

    Em termos de investimento, o Japão é o nono maior investidor no Brasil, com um estoque de US$ 35 bilhões em 2023, um crescimento de 23% em relação ao ano anterior.

    Um dos principais desafios da visita será garantir um compromisso político do governo japonês para enviar ao Brasil uma missão técnica de autoridades sanitárias.

    carne brasileira

    Esse é um dos passos essenciais para liberar a entrada da carne bovina brasileira no mercado japonês, que hoje depende 70% das importações, movimentando cerca de US$ 4 bilhões anuais. Atualmente, 80% desse volume vem dos Estados Unidos e da Austrália, países com forte influência no Japão.

    Desde 2005, o Brasil tenta acessar esse mercado sem sucesso. Em maio de 2024, durante a visita do primeiro-ministro japonês, Fumio Kishida, a Brasília, Lula já havia reforçado a reivindicação.

    Outro tema da agenda será a negociação de um acordo Mercosul-Japão. "A visita do presidente busca impulsionar essas negociações, mas o avanço depende também do governo japonês e dos parceiros do Mercosul, que têm demonstrado interesse na iniciativa", explicou Saboia.

    Vietnã: expansão comercial e nova parceria estratégica

    Após a passagem pelo Japão, Lula segue para o Vietnã, onde chega em 28 de março. O país se tornou um dos principais destinos das exportações do agronegócio brasileiro, ocupando a quinta posição no ranking de consumidores de produtos agropecuários do Brasil.

    O governo brasileiro busca consolidar o Vietnã como Parceiro Estratégico, ampliando a cooperação comercial e diplomática. "A elevação do status do Vietnã permitirá aprofundar o diálogo político, fortalecer a cooperação econômica e impulsionar o fluxo de comércio e investimentos", destacou o Itamaraty.

    Desde que assumiu o terceiro mandato, Lula já se encontrou três vezes com o primeiro-ministro vietnamita Pham Minh Chinh — em setembro de 2023, em Brasília, e em novembro de 2024, na Cúpula do G20, no Rio de Janeiro.

    O comércio bilateral entre Brasil e Vietnã alcançou US$ 7,7 bilhões em 2024, com um superávit brasileiro de US$ 415 milhões. Para efeito de comparação, na última visita de Lula ao país, em 2002, esse volume era de apenas US$ 500 milhões.

    A meta do governo brasileiro é elevar o comércio entre os dois países para US$ 15 bilhões nos próximos anos. "A expectativa é expandir esses mercados dentro de um contexto mais amplo de aproximação do Brasil com os países do Sudeste Asiático", concluiu o embaixador Saboia.

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