Lula promete picanha, mas até ovo dispara: "alguém está passando a mão"
Presidente afirma que o preço da carne bovina deve cair e que a população voltará a comer corte bovino
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Lula ironizou argumentos que apontam fatores climáticos como responsáveis pela alta dos ovos e disse que "alguém está sacaneando as galinhas". (Foto - Valter Campanato/Ag Brasil)
Em evento realizado nesta sexta-feira (14) em Sorocaba (SP), onde entregou 789 novas ambulâncias do Samu, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a falar sobre os preços dos alimentos no Brasil.
Durante seu discurso, ele reafirmou a promessa de que os brasileiros voltarão a comer picanha e reclamou da alta no preço dos ovos.
Lula afirmou que o país deve produzir 59 bilhões de ovos em 2025 e que não há justificativa para a atual valorização do produto no mercado.
“Estamos agora com um problema de alimento, vocês sabem, o ovo está caro. Até hoje eu não encontrei uma explicação para isso. Não tem explicação. Alguém está passando a mão, e nós queremos saber quem é", declarou o presidente.
O petista citou um levantamento feito por sua equipe, comparando os preços da caixa com 30 dúzias de ovos nos últimos anos:
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Janeiro de 2003 – R$ 144,15
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Janeiro de 2024 – R$ 143,09
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Janeiro de 2025 – R$ 144,05
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Fevereiro de 2025 – R$ 210,00

Lula ironizou argumentos que apontam fatores climáticos como responsáveis pela alta dos ovos e disse que "alguém está sacaneando as galinhas".
"Dizem que foi a exportação, o dólar, ou o calor, porque a galinha bota menos ovo quando faz muito calor. Mentira! No ano passado também fez calor, choveu bem no final do ano e as galinhas não reclamaram", criticou.
No mês passado, ele tinha atribuiu a alta no valor dos ovos ao aumento das exportações.
Ainda em fevereiro, ironizou a alta no preço dos alimentos e afirmou ter comido ovos de animais do Palácio da Alvorada, incluindo os de ema.
"Eu estou comendo agora ovo de pata, que dizem ter mais sustância. Como eu sou um jovem de 79 anos, tenho que comer muito ovo de pata. Ovo de galinha fica para vocês, que são jovens. Estou comendo agora ovo de ema, que equivale a 12 ovos de galinha", declarou Lula na ocasião.
Nova promessa: picanha na mesa dos brasileiros
Lula também reafirmou que a isenção do Imposto de Importação sobre a carne bovina e outros 10 alimentos ajudará a reduzir os preços e garantiu que os brasileiros voltarão a comer picanha.
Na campanha eleitoral passada, o presidente repetia como uma espécie de slogan "que o povo brasileiro iria voltar a comer picanha"
"A carne vai baixar. Vocês podem ter certeza de que vão voltar a comer picanha outra vez", afirmou nesta sexta-feira em Sorocaba..
A medida, que entrou em vigor nesta sexta-feira (14), tem impacto limitado no custo final dos alimentos. Segundo estimativas, a redução pode representar apenas 0,998% do total gasto pelos brasileiros com alimentação.
Diante desse efeito quase imperceptível, o governo também aposta e torce por fatores externos para conter a inflação, como a previsão de uma supersafra em 2025.

"Se está caro, não compre", sugeriu Lula no mês passado
No mês passado, Lula fez mais uma declaração polêmica ao sugerir que os brasileiros deixem de comprar produtos considerados caros para forçar uma queda nos preços.
"Se você vai ao supermercado e desconfia que tal produto está caro, não compra. Se todo mundo tiver essa consciência, quem está vendendo vai ter que baixar o preço, senão vai estragar", disse o presidente em evento na Bahia.
Governo aposta na supersafra e na queda do dólar
Na semana passada, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que a colheita deste ano deve ser expressiva e ajudar na redução dos preços. Ele também destacou que a queda do dólar pode contribuir para desacelerar a inflação.
"Acredito que muitos produtos que estão caros hoje terão seus preços reduzidos com a entrada da safra, que será muito expressiva este ano, ao contrário do ano passado", declarou Haddad em entrevista ao Flow Podcast.
Já o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, defendeu a isenção do Imposto de Importação sobre alimentos, que entrou em vigor nesta sexta-feira (14). Ele afirmou que a medida deve contribuir para a redução dos preços no país.