Alckmin assume as rédeas: com Lula ausente, vice lidera medidas econômicas e diálogo com EUA

    Nos últimos dias, ele comandou anúncios importantes com presidente ficando em segundo plano

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    Centralidade de Alckmin na comunicação dessas medidas foi interpretada de diferentes formas. (Foto: Bruno Peres/Agência Brasil)

    Centralidade de Alckmin na comunicação dessas medidas foi interpretada de diferentes formas. (Foto: Bruno Peres/Agência Brasil)

    07deMarçode2025ás11:01

    No momento em que a  popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrenta desgaste, o vice-presidente Geraldo Alckmin tem se consolidado como a principal voz do governo em temas estratégicos. 

    Nos últimos dias, Alckmin liderou anúncios importantes tanto na área econômica quanto nas relações comerciais com os Estados Unidos, ocupando um espaço de destaque que tradicionalmente caberia ao chefe do Executivo.

    Na apresentação das medidas para combater a inflação dos alimentos, coube a Alckmin, que também ocupa o cargo de ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, ser o porta-voz do governo. 

    A decisão de zerar o Imposto de Importação de nove itens alimentícios foi anunciada por ele, que destacou a iniciativa como um esforço para conter a alta dos preços.

    “O governo está abrindo mão de imposto em favor da redução de preço”, afirmou o vice-presidente durante o anúncio.

    A centralidade de Alckmin na comunicação dessas medidas foi interpretada de diferentes formas.

    Para alguns analistas políticos, Lula teria delegado a tarefa ao vice como um gesto ao Centrão, reforçando uma frente ampla de apoio para 2026 e também para evitar ruídos no anúncio, já que vem colecionando uma série de gafes em suas improvisações.

    Outros, no entanto, avaliam que o presidente preferiu se manter à margem por receio de que o impacto da medida fosse limitado, evitando associar sua imagem a um resultado incerto.

    O próprio Lula tratou de publicar uma mensagem sobre a medida econômica, fazendo questão de incluir o vice na mesma publicação.

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    Alckmin à frente das negociações comerciais com os EUA

    Além da pauta econômica interna, o vice-presidente também assumiu protagonismo nas discussões comerciais com os Estados Unidos.

    Em meio às preocupações com a possível imposição de novas tarifas por parte do governo de Donald Trump, Alckmin liderou uma reunião virtual com o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, e o representante comercial norte-americano, Jamieson Greer.

    Embora o Brasil ainda não tenha sido diretamente afetado pelo "tarifaço" anunciado por Trump, a administração brasileira monitora a situação com cautela.

    Durante a reunião, Brasil e Estados Unidos concordaram em aprofundar o diálogo por meio de encontros bilaterais nos próximos dias para discutir o impacto das tarifas.

    O encontro ocorreu um dia após  Trump citar o Brasil em seu discurso ao Congresso dos EUA, no qual expôs suas prioridades comerciais para o novo mandato. 

    Segundo informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), a conversa abordou os resultados da balança comercial e a política tarifária recíproca entre os dois países.

    De acordo com o Mdic, houve convergência em relação aos aspectos positivos da relação bilateral. Alckmin ressaltou que o comércio entre Brasil e EUA gira em torno de US$ 80 bilhões anuais e que, na balança comercial, os Estados Unidos possuem um superávit de US$ 200 milhões em relação ao Brasil.

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    O vice-presidente também destacou que, entre os dez principais produtos importados pelo Brasil dos Estados Unidos, oito têm tarifa zero. Além disso, a tarifa média efetivamente recolhida pelo Brasil é de 2,73%, abaixo das tarifas nominais praticadas em outros mercados. 

    Alckmin frisou ainda que o Brasil responde pelo sétimo maior superávit comercial dos EUA no setor de bens e que, ao somar bens e serviços, os americanos mantêm um saldo positivo de mais de US$ 25 bilhões com o Brasil.

    “O vice-presidente ressaltou que a intenção do governo brasileiro é fortalecer a complementariedade econômica entre os países, aumentar a reciprocidade, fortalecer nossas empresas e, acima de tudo, contribuir para as boas práticas comerciais entre os dois países”, informou a nota do Mdic. 

    O espaço de Alckmin no governo

    A sequência de aparições públicas do vice-presidente reforça sua crescente influência dentro do governo.

    Alckmin tem se colocado à frente de debates econômicos e comerciais cruciais, enquanto Lula, diante de um cenário político mais desafiador, adota uma postura mais discreta em determinados anúncios. 

    A estratégia pode indicar tanto uma tentativa de reforçar a presença do governo em diferentes frentes quanto uma delegação calculada para mitigar eventuais desgastes.

    Independentemente da motivação, o fato é que Alckmin tem ganhado espaço e protagonismo em um momento decisivo para o governo Lula.

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