Japão envia missão de auditoria ao Brasil e negociação por carne bovina ganha força

    Equipe japonesa inspeciona frigoríficos e avalia sistema sanitário em três estados brasileiros

    Japão envia missão de auditoria ao Brasil e negociação por carne bovina ganha força
    20deJunhode2025ás14:40

    O Brasil recebeu, entre os dias 9 e 13 de junho, uma missão oficial do Ministério da Agricultura, Silvicultura e Pesca do Japão (MAFF), como parte das tratativas para a abertura do mercado japonês à carne bovina brasileira.

    A visita marca uma nova fase no processo de análise de risco conduzido pelo governo japonês, após o reconhecimento do Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação.

    A comitiva percorreu estruturas do Serviço Veterinário Oficial (SVO) nos estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná, além de reuniões em Brasília, onde foram recebidos pelo secretário de Defesa Agropecuária, Carlos Goulart, e pelo diretor de Saúde Animal, Marcelo Mota.

    Auditoria técnica em três estados

    Em Santa Catarina, os técnicos japoneses conheceram a estrutura sanitária do estado em visita à Unidade Veterinária Local da Cidasc, em Biguaçu, além de reuniões com a Superintendência de Agricultura e Pecuária (SFA/SC).

    O estado é reconhecido internacionalmente por seu status sanitário e já exporta carne suína ao Japão.

    No Rio Grande do Sul, a missão passou por Uruguaiana, na fronteira com a Argentina, onde foi apresentado o Programa Sentinela — iniciativa de vigilância ativa de doenças, conduzida pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi). 

    missao japao

    Os japoneses também conheceram o posto do Vigiagro no município.

    Já no Paraná, os auditores visitaram os escritórios regional e local da Agência de Defesa Agropecuária (Adapar) em Cascavel, e participaram de reunião técnica em Curitiba, com foco na rastreabilidade, controle sanitário e logística de trânsito animal.

    “Essa missão tem por objetivo a abertura do mercado japonês para a carne bovina e suína, vindo após o reconhecimento do Brasil como área livre de febre aftosa sem vacinação”, explicou Rosane Collares, diretora do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal do RS.

    Segundo Rafael Gonçalves Dias, chefe do Departamento de Saúde Animal da Adapar, o encontro representou uma etapa fundamental.

    “Finalizamos essa etapa crucial neste processo de estreitar relação com o Japão. Eles tiveram acesso a informações do nosso serviço sanitário como um todo. A delegação japonesa irá elaborar um relatório formal sobre o tema e outras etapas ainda serão feitas.”

    Abertura parcial e pressão por ampliação

    A expectativa é que, em um primeiro momento, a liberação japonesa contemple apenas os estados que já eram reconhecidos como livres de febre aftosa sem vacinação antes de 2025: Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná, Acre e Rondônia.

    Isso ocorre porque esses estados já tinham histórico validado anteriormente pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), o que oferece maior segurança técnica e jurídica aos países importadores.

    Os japoneses também conheceram o posto do Vigiagro no município.

    Já no Paraná, os auditores visitaram os escritórios regional e local da Agência de Defesa Agropecuária (Adapar) em Cascavel, e participaram de reunião técnica em Curitiba, com foco na rastreabilidade, controle sanitário e logística de trânsito animal.

    “Essa missão tem por objetivo a abertura do mercado japonês para a carne bovina e suína, vindo após o reconhecimento do Brasil como área livre de febre aftosa sem vacinação”, explicou Rosane Collares, diretora do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal do RS.

    Segundo Rafael Gonçalves Dias, chefe do Departamento de Saúde Animal da Adapar, o encontro representou uma etapa fundamental.

    “Finalizamos essa etapa crucial neste processo de estreitar relação com o Japão. Eles tiveram acesso a informações do nosso serviço sanitário como um todo. A delegação japonesa irá elaborar um relatório formal sobre o tema e outras etapas ainda serão feitas.”

    Embora o Brasil tenha obtido o reconhecimento nacional em maio de 2025, o Japão — conhecido por suas exigências rigorosas — tende a limitar a aprovação inicial a áreas com certificação sanitária mais consolidada.

    O Ministério da Agricultura trabalha para que a abertura contemple todo o território brasileiro, argumentando que o sistema de vigilância atual é padronizado e eficaz em todo o país.

    Visita de Lula ao Japão destravou negociações

    O avanço nas negociações é resultado direto da visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Japão, em março.

    Na ocasião, o primeiro-ministro japonês, Shigeru Ishiba, propôs acelerar o processo, criando um grupo técnico bilateral e anunciando o envio de especialistas ao Brasil — o que se concretizou com a missão recém-concluída.

    As tratativas se arrastam há mais de duas décadas.

    O Japão importa cerca de 70% da carne bovina que consome — movimentando cerca de US$ 4 bilhões anuais — e concentra suas compras em parceiros tradicionais como Estados Unidos e Austrália. Com o novo status sanitário, o Brasil passa a cumprir um dos principais requisitos para disputar esse mercado.

    A carne bovina é o quarto item mais exportado pelo país, atrás apenas da soja, petróleo bruto e minério de ferro.

    Santa Catarina firma parceria para exportar grãos ao Japão

    Enquanto isso, Santa Catarina assinou uma Carta de Intenções com o Japão, com foco em ampliar a exportação de grãos e atrair investimentos em logística.

    O documento foi firmado pelo governador Jorginho Mello em 18 de junho, em Tóquio, com representantes do MAFF e do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MOFA).

    O acordo prevê a criação de uma rede logística eficiente para exportação de grãos, com destaque para o Porto de São Francisco do Sul, considerado estratégico para o abastecimento do mercado asiático.

    Além da logística, o acordo prevê estímulo à presença de empresas japonesas no estado, especialmente nos setores agrícola, alimentício e de infraestrutura. A carta tem validade inicial de dois anos e abre espaço para estudos técnicos e novos acordos formais.

    No dia seguinte, 19 de junho, o governador catarinense se reuniu com representantes da Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA) para discutir obras estruturantes no Vale do Itajaí, incluindo a criação de um canal de escoamento em Navegantes e a construção de um túnel em Blumenau.

    A proposta é ampliar a capacidade de vazão do Rio Itajaí-Açu, protegendo cidades historicamente afetadas por enchentes. A obra em Navegantes é considerada prioritária e abriria caminho para outras intervenções a montante, sem causar impactos negativos a jusante.

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