Agro reage com preocupação às tarifas de Trump; Lula fala em reciprocidade

    FPA vê risco à competitividade do setor e defende reação estratégica

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    Agro reage com preocupação às tarifas de Trump; Lula fala em reciprocidade
    10deJulhode2025ás08:47

    A  decisão do presidente norte-americano Donald Trump de aplicar tarifas de 50% sobre produtos brasileiros gerou forte reação do setor produtivo e do governo brasileiro. 

    No agronegócio, entidades apontam que a medida inviabiliza exportações e  pode afetar duramente a economia nacional.

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil responderá com base na Lei de Reciprocidade Econômica, sancionada em abril.

    A medida atinge em cheio produtos do agro como carne bovina e suína, açúcar, café e suco de laranja — principais itens da pauta de exportações brasileiras para os Estados Unidos.

    A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) alertou que a tarifa tornará o custo da carne brasileira “tão alto que inviabilizará a venda do produto” ao mercado americano. 

    “A Abiec reforça a importância de que questões geopolíticas não se transformem em barreiras ao abastecimento global e à garantia da segurança alimentar, especialmente em um cenário que exige cooperação e estabilidade entre os países”, destacou a entidade, que também pediu a retomada do diálogo bilateral.

    “Estamos dispostos ao diálogo, de modo que medidas dessa natureza não gerem impactos para os setores produtivos brasileiros nem para os consumidores americanos, que recebem nossos produtos com qualidade, regularidade e preços acessíveis.”

    Com a imposição da tarifa, uma das consequências imediatas esperadas é a queda dos preços no mercado interno, especialmente entre as commodities que deixarão de ser exportadas.

    “Toda vez que ocorre algum tipo de fechamento, mesmo quando é autoembargo, os preços caem, como é o caso do preço da carne. E é provável que isso aconteça, seja com carne, suco de laranja ou café”, avalia Alexandre Pires, professor de Relações Internacionais e Economia no Ibmec-SP. 

    O impacto também será sentido no setor cafeeiro. Segundo o Cecafé, os Estados Unidos consomem cerca de 24 milhões de sacas de café por ano, sendo o Brasil responsável por cerca de 30% desse mercado. A nova tarifa poderá elevar a carga tributária a mais de 60%. 

    Para a CitrusBR, que representa os exportadores de suco, o cenário é igualmente grave.

    “Fomos pegos de surpresa e ainda vamos analisar os impactos, mas é péssimo para o setor como um todo. Entendemos que essa medida afeta não apenas o Brasil, mas toda a indústria de suco dos EUA, que emprega milhares de pessoas e tem o Brasil como principal fornecedor externo há décadas”, pontua Ibiapaba Netto, diretor-executivo da entidade, ao Estadão. 

    Indústria e comércio exterior reagem

    A Confederação Nacional da Indústria (CNI) também manifestou preocupação. Para a entidade, a medida não tem justificativa econômica e pode comprometer a relação bilateral.

    “Não existe qualquer fato econômico que justifique uma medida desse tamanho, elevando as tarifas sobre o Brasil do piso ao teto. Os impactos dessas tarifas podem ser graves para a nossa indústria, que é muito interligada ao sistema produtivo americano”, afirmou o presidente da CNI, Ricardo Alban. 

    A Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) classificou o anúncio como uma “das maiores taxações já impostas na história do comércio internacional”. Segundo o presidente-executivo da entidade, José Augusto de Castro, trata-se de uma decisão política com efeitos econômicos amplos. 

    “Além das dificuldades de comércio com os Estados Unidos, o anúncio da Casa Branca pode criar uma imagem negativa do Brasil e gerar medo em importadores de outros países de fechar negócios com as nossas empresas.” 

    FPA pede resposta firme e diplomacia ativa

    A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que representa a bancada ruralista no Congresso, também se posicionou contra a decisão de Trump.

    Em nota, a frente declarou que a nova alíquota “produz reflexos diretos e atinge o agronegócio nacional, com impactos no câmbio, no consequente aumento do custo de insumos importados e na competitividade das exportações brasileiras”. 

    “Diante desse cenário, a FPA defende uma resposta firme e estratégica: é momento de cautela, diplomacia afiada e presença ativa do Brasil na mesa de negociações”, afirmou o grupo. A frente reiterou a necessidade de fortalecer as tratativas bilaterais, evitando o isolamento do Brasil no cenário internacional.

     
     
     
     
     
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    Lula reage e cita Lei de Reciprocidade Econômica

    Em resposta à medida, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que o governo usará a Lei de Reciprocidade Econômica para adotar contramedidas. Segundo Lula, a alegação de déficit comercial usada por Trump é falsa.

    “As estatísticas do próprio governo dos Estados Unidos comprovam um superávit desse país no comércio de bens e serviços com o Brasil da ordem de 410 bilhões de dólares ao longo dos últimos 15 anos”, afirmou. 

    A lei, sancionada em abril, autoriza o Executivo a aplicar sanções comerciais e suspender concessões em casos de medidas unilaterais adotadas por outros países que prejudiquem a competitividade brasileira. 

    “A soberania, o respeito e a defesa intransigente dos interesses do povo brasileiro são os valores que orientam a nossa relação com o mundo”, escreveu o presidente nas redes sociais. 

    Lula também rebateu o uso de acusações envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) feitas por Trump. No documento enviado à presidência brasileira, o republicano cita o ex-presidente Jair Bolsonaro — réu por tentativa de golpe de Estado — e menciona decisões do STF contra apoiadores do ex-presidente. 

    “O processo judicial contra aqueles que planejaram o golpe de estado é de competência apenas da Justiça Brasileira e, portanto, não está sujeito a nenhum tipo de ingerência ou ameaça que fira a independência das instituições nacionais”, afirmou Lula.

     

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