FPA cobra ajustes na MP do Tarifaço e pede integração ao Plano Safra

    Bancada cobra clareza no crédito e medidas estruturais para dar segurança ao produtor e ao mercado

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    Pedro Lupion: "O agro não pode ser lembrado só em momentos de crise internacional”.(Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados)

    Pedro Lupion: "O agro não pode ser lembrado só em momentos de crise internacional”.(Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados)

    27deAgostode2025ás15:15

    A Medida Provisória (MP) 1.309/2025, que institui o Plano Brasil Soberano para mitigar os efeitos das sobretaxas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, chegou ao Congresso com apoio, mas também com ressalvas da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA).

    A bancada reconhece o esforço do governo federal, mas cobra ajustes e maior alinhamento com políticas estruturais já existentes para o setor.

    Assinado por Lula no último dia 13, o pacote prevê R$ 30 bilhões em crédito para exportadores, mudanças no seguro de crédito à exportação e em fundos garantidores, suspensão de tributos sobre insumos importados (drawback) e compras governamentais de gêneros alimentícios que deixaram de ser exportados.

    Para a FPA, no entanto, faltam definições sobre taxas de juros e condições de pagamento, além de integração com o Plano Safra e de previsibilidade orçamentária.

    “O governo demonstrou rapidez para responder à crise com os Estados Unidos, mas é preciso o mesmo empenho para resolver gargalos históricos do crédito rural e do seguro agrícola. O agro não pode ser lembrado só em momentos de crise internacional”, afirmou o presidente da FPA, deputado Pedro Lupion (PP-PR).

    A vice-presidente da FPA no Senado, senadora Tereza Cristina (PP-MS), reforçou o ponto. 

    “É fundamental que haja integração com o Plano Safra. Precisamos garantir que essa MP venha para somar e não para piorar a situação dos produtores”.

    O senador Zequinha Marinho (Podemos-PA) também defendeu cautela.

    “É importante que o plano emergencial seja ágil, mas também seguro para os produtores. Não podemos improvisar; precisamos de medidas consistentes que protejam o setor a longo prazo”.

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    Emendas apresentadas pela FPA

    A bancada critica o caráter emergencial da MP, que oferece soluções pontuais, sem avançar em políticas permanentes de apoio, como seguro de renda, inovação tecnológica e diversificação de mercados.

    Para corrigir essas falhas, a FPA protocolou um pacote de emendas, entre elas:

    • compensação imediata de tributos federais;

    • homologação tácita de pedidos de restituição em até 60 dias;

    • ressarcimento em espécie de créditos de PIS/Cofins em até 30 dias;

    • IOF zero em operações de crédito e câmbio vinculadas ao programa;

    • depreciação acelerada de bens de capital para adaptação produtiva;

    • criação de modalidade de transação tributária específica para exportadores afetados.

    “Queremos garantir que o produtor não seja penalizado pela improvisação. Nossa posição é favorável à MP, mas com as ressalvas que deem segurança aos exportadores e ao mercado. O Brasil precisa de política agrícola de longo prazo, não apenas de soluções paliativas”, reforçou Lupion.

    Próximos passos

    A comissão mista que analisará a Medida Provisória foi convocada para esta quarta-feira (27). A expectativa é que o Congresso debata as emendas da FPA e outras sugestões apresentadas por parlamentares e setores do agro antes de votar o texto.

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