Auditores fiscais agropecuários podem ter direito a porte de arma, prevê projeto de lei
Proposta busca reforçar segurança de servidores que atuam em áreas de fronteira e no combate ao crime organizado no campo
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Auditores atuam no controle sanitário de animais, vegetais, produtos e insumos agropecuários, muitas vezes em áreas de fronteira ou regiões isoladas
O Projeto de Lei 4631/2025, que autoriza o porte de armas para auditores fiscais federais agropecuários e técnicos em fiscalização federal agropecuária, foi protocolado pelo deputado federal Messias Donato (Republicanos-ES) na Câmara dos Deputados.
A proposta conta com a coautoria de outros 15 parlamentares de diferentes partidos e estados.
Para o Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical), o texto representa um avanço essencial para a segurança dos profissionais responsáveis pela defesa da qualidade dos alimentos, da saúde pública, da competitividade do agronegócio e da imagem internacional do Brasil.
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Atualmente, embora a legislação reconheça o poder de polícia desses servidores, não há previsão expressa de porte funcional de armas. Essa ausência, segundo a categoria, compromete tanto a segurança pessoal quanto a efetividade das atribuições.

Os auditores atuam no controle sanitário de animais, vegetais, produtos e insumos agropecuários, muitas vezes em áreas de fronteira ou regiões isoladas, expostos a situações de vulnerabilidade.
“Esses profissionais atuam em áreas de fronteira, que são verdadeiros corredores para o ingresso ilegal de mercadorias, inclusive produtos agropecuários que ameaçam a sanidade animal e vegetal, comprometendo a economia e a saúde pública. A fiscalização nestas regiões, muitas vezes sem o suporte imediato das forças policiais, exige autonomia e respaldo legal para que os servidores possam agir com segurança e autoridade”, afirmou o deputado Messias Donato.
Tramitação no Congresso
De acordo com o presidente do Anffa Sindical, Janus Pablo Macedo, o projeto será analisado pelas comissões de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado; Constituição e Justiça e de Cidadania; e de Finanças e Tributação. Há ainda a possibilidade de tramitação pela Comissão de Administração e Serviço Público, em razão do teor da proposta.
“A atuação dos auditores fiscais federais agropecuários e técnicos muitas vezes ocorre em regiões afastadas, dentro de propriedades, sem a presença das forças policiais. Há, ainda, os que atuam no Programa de Vigilância em Defesa Agropecuária para Fronteiras Internacionais (Vigifronteira) que, frequentemente, estão acompanhados de outras autoridades que contam com a prerrogativa de porte de armas, o que dificulta o combate às organizações criminosas e coloca em risco a vida dos profissionais”, destacou Macedo.
Apreensões e pressão do crime organizado
Entre 2020 e 2024, operações de fiscalização resultaram na apreensão de:
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mais de 422 mil quilos de defensivos agrícolas,
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213 mil quilos de fertilizantes,
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573 mil sementes, 542 mil litros de bebidas,
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72 mil produtos veterinários,
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359 mil quilos de produtos para alimentação animal e
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quase 5 mil animais vivos.
Segundo Macedo, o aumento do interesse de organizações criminosas em atividades ilícitas envolvendo produtos agropecuários ameaça não apenas a economia, mas também a saúde pública e o meio ambiente.
“Os órgãos de segurança pública, embora apreendam grandes quantidades de produtos agropecuários irregulares, também passam por deficiências de recursos financeiros e humanos em suas corporações, restando frequentemente incapazes de acompanhar e dar o suporte de segurança adequado às ações de combate a ilícitos agropecuários realizadas pelo Mapa, que não poderiam aguardar essa disponibilização, porque praticamente inviabilizaria a maioria das ações de fiscalização e de coerção a ilícitos realizadas”, afirmou.
Defesa do setor estratégico
Para o Anffa Sindical, garantir respaldo legal ao porte de armas é uma medida de proteção não apenas individual, mas também coletiva.
A entidade argumenta que a defesa agropecuária é pilar estratégico para a sustentabilidade do agronegócio e para a preservação da saúde da população.
“Proteger os profissionais que atuam nesse setor estratégico é, portanto, mais do que uma medida de segurança individual: trata-se de um investimento em segurança pública, sanitária e econômica para todo o País”, conclui a entidade.