Concessão de crédito rural cai 22% e investimento recua no início da safra 2025/26

    Baixa execução dos recursos, tombo nos programas de investimento e queda de 29% no número de contratos marcam o desempenho entre julho e outubro

    Concessão de crédito rural cai 22% e investimento recua no início da safra 2025/26
    14deNovembrode2025ás12:00

    A liberação de crédito rural segue em retração na safra 2025/26.

    Entre julho e outubro deste ano, os produtores acessaram R$ 128,1 bilhões pelas linhas tradicionais do Plano Safra, queda de 22% em relação aos R$ 164,5 bilhões do mesmo período da safra passada, segundo balanço parcial divulgado pelo Ministério da Agricultura. Apesar da desaceleração, a pasta classificou o desempenho como “satisfatório”. 

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    Os dados do Boletim de Desempenho do Crédito Rural mostram que o volume efetivamente concedido, ou seja, já liberado na conta do produtor, somou R$ 187,81 bilhões, queda de 7% na comparação anual.

    O número de contratos também encolheu: foram 212.801 operações, redução de 29% ante as 300.346 realizadas no ano anterior.

    A retração aparece com força nos programas de investimento, diretamente atingidos pelos juros altos e pela cautela dos bancos. Linhas como Moderfrota, Proirriga, RenovAgro e Pronamp registraram quedas entre 33% e 48%.

    Já o Programa de Construção de Armazéns (PCA) foi um dos poucos destaques positivos, com avanço de 22%. 

    Custeio recua, mas CPR cresce e muda o quadro

    No custeio tradicional, os desembolsos somaram R$ 65,1 bilhões, recuo de 23%. Mas, quando se incorpora o forte avanço das Cédulas de Produto Rural (CPR), o cenário se altera.

    As CPR emitidas por produtores em favor de instituições financeiras atingiram R$ 86,2 bilhões no período, crescimento de 31% sobre 2024.

    Assim, ao combinar custeio + CPR, o volume direcionado ao financiamento da safra chega a R$ 156,9 bilhões, alta de 4% em relação à temporada anterior.

    Recursos contratados ficam estáveis

    Mesmo com a queda nas concessões, o total de recursos contratados entre julho e outubro — que inclui operações já contratadas, mas ainda não liberadas — chegou a R$ 201,75 bilhões, virtualmente estável (+0,3%) ante os R$ 201,16 bilhões de 2024.

    As contratações para industrialização avançaram 29%, somando R$ 11,7 bilhões. Já as linhas de comercialização recuaram 14%, para R$ 12,8 bilhões.

    Regiões sofrem retração e equalização avança pouco

    Todas as regiões do país registraram queda tanto em número de contratos quanto em valores concedidos, com destaque para o Nordeste, onde as operações diminuíram 48% e o valor total caiu 36%.

    A execução dos recursos equalizáveis também segue lenta: apenas 28% da verba programada para 2025 foi utilizada até outubro.

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