Mercado prevê inflação dentro da meta pela primeira vez no ano
Focus projeta IPCA de 4,46% e PIB de 2,16% este ano
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Pela primeira vez no ano, as projeções do mercado financeiro apontam que a inflação brasileira deve encerrar 2025 dentro do intervalo da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
A estimativa para o IPCA — índice oficial de inflação do país — recuou de 4,55% para 4,46% após a divulgação do resultado de outubro, o menor para o mês em quase 30 anos.
Com o novo número, a projeção dos economistas dos bancos alcançou o intervalo da meta de inflação que deve ser perseguida pelo Banco Central. É a primeira vez desde dezembro do ano passado que a projeção para 2025 fica abaixo do teto de 4,5%.
Definida pelo CMN, a meta é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, o que estabelece limites entre 1,5% e 4,5%.
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Os dados constam no Boletim Focus desta segunda-feira (17), pesquisa semanal divulgada pelo Banco Central, em Brasília, com as expectativas de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos.
Inflação menor em outubro
A redução na conta de luz puxou a inflação oficial para baixo e fez o IPCA fechar outubro em 0,09%, o menor índice para o mês desde 1998, segundo o IBGE. Em setembro, o IPCA havia marcado 0,48% e, em outubro de 2024, a variação tinha sido de 0,56%.
Com esse resultado, a inflação acumulada em 12 meses está em 4,68%, a primeira vez, em oito meses, que o patamar fica abaixo de 5%. Ainda assim, está acima do teto da meta definida pelo CMN.
Para os próximos anos, o Focus projeta inflação de 4,2% em 2026, 3,8% em 2027 e 3,5% em 2028.
Juros básicos
Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros, a Selic, definida em 15% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom).
O recuo da inflação e a desaceleração da economia levaram à manutenção da Selic pela terceira vez seguida, na última reunião, no início deste mês.
O colegiado não descarta a possibilidade de voltar a elevar os juros, caso julgue apropriado. Em nota, o BC informou que o ambiente externo se mantém incerto por causa da conjuntura e da política econômica nos Estados Unidos, com reflexos nas condições financeiras globais.
No Brasil, a autarquia destacou que a inflação continua acima da meta, apesar da desaceleração da atividade econômica, o que indica que os juros devem permanecer altos por bastante tempo.
A estimativa dos analistas de mercado é que a taxa básica encerre 2025 em 15% ao ano. Para o fim de 2026, a expectativa é que a Selic caia para 12,25% ao ano. Para 2027 e 2028, a previsão é de 10,5% e 10% ao ano, respectivamente.
Quando o Copom aumenta a Selic, a finalidade é conter a demanda aquecida, encarecendo o crédito e estimulando a poupança, o que ajuda a segurar os preços. Bancos ainda consideram fatores como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas na formação dos juros finais, o que pode limitar a expansão da economia.
Quando a taxa Selic é reduzida, a tendência é que o crédito fique mais barato, incentivando produção e consumo, reduzindo o controle sobre a inflação e estimulando a atividade econômica.
PIB e câmbio
Nesta edição do Boletim Focus, a estimativa das instituições financeiras para o crescimento da economia brasileira em 2025 permaneceu em 2,16%.
Para 2026, a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB), a soma dos bens e serviços produzidos no país, ficou em 1,78%. Para 2027 e 2028, o mercado financeiro estima expansão de 1,88% e 2%, respectivamente.
Puxada pelas expansões dos serviços e da indústria, a economia brasileira cresceu 0,4% no segundo trimestre deste ano. Em 2024, o PIB fechou com alta de 3,4%. O resultado representou o quarto ano seguido de crescimento e a maior expansão desde 2021, quando o PIB alcançou 4,8%.
A previsão da cotação do dólar está em R$ 5,40 para o fim deste ano. No fim de 2026, estima-se que a moeda norte-americana fique em R$ 5,50.