Brasil e Japão fecham parceria para recuperar pastagens degradadas

    Acordo entre MAPA, Embrapa e JICA prevê uso de satélites, análises de solo e tecnologias de baixo carbono para acelerar a recuperação no Cerrado

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    Brasil e Japão fecham parceria para recuperar pastagens degradadas
    19deNovembrode2025ás10:05

    O Brasil deu um passo importante para recuperar áreas degradadas e fortalecer uma agropecuária mais sustentável.
    Durante a COP30, o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, assinou um Memorando de Cooperação Técnica com a Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA) e a Embrapa, lançando a chamada Parceria Verde pela Agricultura.

    O projeto tem um objetivo ambicioso: diagnosticar pastagens degradadas no Cerrado, monitorar sua recuperação e promover a intensificação agrícola sustentável. 

    Para isso, vai utilizar tecnologia avançada, especialmente dados de satélite da agência espacial japonesa Jaxa, com o objetivo de tornar o processo mais preciso e eficiente.

    A iniciativa está alinhada ao programa nacional Caminho Verde Brasil, que prevê a recuperação de até 40 milhões de hectares de pastagens degradadas em dez anos.

    Segundo informações apresentadas no evento, o Cerrado tem cerca de 51 milhões de hectares de pastagens, dos quais 13,6 milhões estão em algum grau de degradação, mas com potencial produtivo.

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    Desse total, quase 60%, ou 7,7 milhões de hectares, estão em estágio moderado de degradação; outros 5,9 milhões de hectares encontram-se em condição mais severa.

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    O projeto terá duração de cinco a dez anos e deve começar em abril de 2026.

    De acordo com a Embrapa, a JICA deverá aportar US$ 1 bilhão, sendo US$ 500 milhões nos dois primeiros anos.

    A iniciativa será estruturada em quatro eixos principais:

    • Resiliência climática — desenvolvimento de técnicas para ajudar produtores a enfrentar as mudanças do clima.

    • Apoio a pequenos e médios produtores — garantir que a recuperação seja economicamente viável para diferentes perfis de agricultores.

    • Segurança alimentar — aumento da produtividade em áreas recuperadas, evitando a abertura de novas áreas.

    • Energia sustentável — integração de fontes limpas no processo produtivo.

    Ciência e monitoramento

    A Embrapa será responsável por análises da saúde do solo, monitoramento por satélite e estudos econômicos para avaliar a viabilidade das intervenções, além de desenvolver um sistema de apoio à decisão voltado a produtores e gestores.

    Também está prevista a criação do ZARC Pastagem, um zoneamento climático de risco para orientar quais áreas têm maior potencial de recuperação ou intensificação sem gerar nova degradação.

    O ministro Fávaro destacou que os investimentos não se limitarão à pesquisa: devem incluir linhas de financiamento para produtores, por meio de bancos como o BNDES.

    Segundo ele, o Brasil não precisa abrir novas fronteiras agrícolas para crescer, já que o potencial está nas áreas ocupadas que necessitam de restauração.

    As condições previstas para esses financiamentos são consideradas favoráveis: juros entre 1,7% e 2,4% (em ienes), prazos de 15 a 40 anos e carência de 5 a 10 anos.

    A presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, reforçou que o projeto fortalece o papel da pesquisa agropecuária na construção de uma agricultura de baixo carbono, resiliente e preparada para crises climáticas.

     

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