Operações no RS e MT revelam golpes e fraudes de R$ 116,8 milhões
Ações distintas nos estados miram exportações simuladas e consórcios rurais, com bloqueios milionários e prisões
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Duas ações independentes deflagradas no Rio Grande do Sul e em Mato Grosso, nesta quinta-feira (4), miram esquemas distintos de fraude ligados ao meio rural e a operações econômicas do setor.
Juntas, as investigações apontam movimentações e prejuízos superiores a R$ 116 milhões, além de bloqueios milionários e prisões de suspeitos.
No Mato Grosso, o Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos (Cira-MT) deflagrou a Operação Fake Export, que desarticulou um grupo criminoso especializado em simular exportações de grãos para sonegar impostos no estado.
A ação cumpre 48 medidas cautelares, incluindo mandados de busca e apreensão, suspensão de atividades e quebras de sigilo.
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A investigação da Polícia Civil, por meio da Defaz, e da Promotoria de Crimes contra a Ordem Tributária revelou um esquema estruturado com empresas fictícias, falsificação de documentos e uso de laranjas para dar aparência legal a operações que nunca ocorreram.
O trabalho teve início após relatórios de inteligência fiscal da Secretaria de Fazenda.
Fraude de exportação simulada movimentou R$ 86,8 milhões
Os técnicos identificaram volumes expressivos de notas fiscais de exportação simuladas e diversas empresas de fachada criadas exclusivamente para viabilizar o esquema.

A organização usava duas cadeias paralelas de empresas: uma responsável por emitir notas de supostas exportações, gerando créditos fiscais e ocultando vendas internas, e outra para simular remessas internacionais que nunca saíam do país.
Apenas uma das empresas movimentou R$ 86,8 milhões entre janeiro e setembro de 2023, dos quais R$ 42,9 milhões em notas declaradas como exportação sem comprovação de embarque. A Certidão de Dívida Ativa já está em R$ 34,4 milhões, com novos processos em conclusão.
O esquema utilizava o CFOP 6502 sem apresentar registros alfandegários ou comprovantes de embarque, mantendo cargas dentro do território nacional e causando prejuízo milionário à arrecadação e à concorrência no setor agrícola.
O delegado Walter de Melo Fonseca Júnior afirmou que a operação reafirma o compromisso do Cira no enfrentamento a fraudes tributárias de grande escala.
Já o promotor Washington Eduardo Borrére destacou que a atuação integrada das instituições é essencial diante da complexidade do esquema. A ação contou com apoio da Deccor, Dema e Politec, e as investigações continuam.
Golpe de consórcios rurais causou prejuízo de R$ 30 milhões
No Rio Grande do Sul, a Polícia Civil prendeu suspeitos de integrar um esquema de consórcios rurais que teria lesado mais de 200 pessoas em cerca de R$ 30 milhões ao longo de uma década. A operação ocorre em Passo Fundo, no Norte do estado.
Segundo a polícia, os investigados ofereciam cartas de crédito supostamente já contempladas.
As vítimas, principalmente agricultores e comerciantes, depositavam cerca de 10% do valor combinado, mas depois descobriam que a carta não havia sido contemplada.
Até o momento, cinco pessoas foram presas. Entre os alvos estão integrantes de seis empresas de consórcio e três policiais militares que faziam a segurança do grupo. Ao todo, são cumpridos 16 mandados de prisão, sendo 13 preventivos.
Entre imóveis e criptomoedas, os valores bloqueados chegam a R$ 170 milhões, além de 40 veículos de luxo apreendidos, incluindo sete Porsches, juntos avaliados em R$ 15 milhões.
A polícia afirma que o golpe vem sendo aplicado desde 2016. Apenas em 2025, o grupo teria movimentado R$ 3 bilhões em vendas de consórcios.
As investigações indicam que o dinheiro das vítimas servia para financiar um padrão de vida de luxo, incluindo imóveis milionários no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.