Acordo UE–Mercosul: o que ainda falta para a assinatura final
Protestos de agricultores na França voltam a pressionar líderes europeus e travam consenso político no bloco
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(Foto - Sarah Meyssonnie/Reuters)
Depois mais de duas décadas de tratativas, o tão esperado acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul segue na iminência de ser assinado, mas não teve seu desfecho definitivo.
Apesar de avanços nos últimos meses e de declarações otimistas por parte de Brasília e de autoridades europeias, uma série de impasses continua a adiar a assinatura final do tratado, que promete criar uma das maiores áreas de livre-comércio do mundo, com 700 milhões de pessoas e uma economia de aproximadamente US$ 22 trilhões.
Agora, a Comissão Europeia acredita que terá maioria para, enfim, avançar na assinatura final de uma proposta, já que a Itália teria sinalizado apoio, condicionado à liberação de 45 bilhões de euros a produtores europeus.
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Alemanha e Espanha esperam que o acordo seja assinado já no próximo dia 12 de janeiro.
A negociação entre os dois blocos foi considerada concluída no final de 2024, mas a assinatura prevista para dezembro, durante a cúpula do Mercosul, em Foz do Iguaçu, acabou sendo frustrada por pressões de França e Itália, o que irritou lideranças do bloco sul americano, como o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva.
Agora, foi a vez do bloco europeu fazer acenos: além da liberação de recursos vultosos, a Comissão Europeia garantiu que pretende reduzir tarifas de importação para alguns tipos de fertilizantes, como amônia e ureia.
Além disso, uma proposta legislativa quer suspender o imposto de fronteira sobre o carbono.
A mudança na postura europeia se dá dias após a invasão da Venezuela pelos Estados Unidos, que agora pressiona a Dinamarca a vender a Groenlândia sob risco de nova incursão militar.
O mundo se espreme em zonas de influência criadas a partir dos Estados Unidos, Rússia e China, no que vem sendo chamado de “a nova era dos impérios” e nunca foi tão decisiva a abertura de rotas econômicas em um momento em que o multilateralismo é colocado contra a parede.
O que (ainda) está faltando?
Um dos maiores obstáculos continua a ser a pressão de países membros com forte lobby agrícola, como França e Itália, que temem a concorrência de produtos sul-americanos com menores tarifas. Polônia e Hungria também são contra.