Acordo UE–Mercosul: o que ainda falta para a assinatura final

Protestos de agricultores na França voltam a pressionar líderes europeus e travam consenso político no bloco

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(Foto - Sarah Meyssonnie/Reuters)

(Foto - Sarah Meyssonnie/Reuters)

08deJaneirode2026ás10:13

Depois  mais de duas décadas de tratativas, o tão esperado  acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul segue na iminência de ser assinado, mas não teve seu desfecho definitivo. 

Apesar de avanços nos últimos meses e de declarações otimistas por parte de Brasília e de autoridades europeias, uma série de impasses continua a adiar a assinatura final do tratado, que promete criar uma das maiores áreas de livre-comércio do mundo, com 700 milhões de pessoas e uma economia de aproximadamente US$ 22 trilhões. 

Agora, a Comissão Europeia acredita que terá maioria para, enfim, avançar na assinatura final de uma proposta, já que a Itália teria sinalizado apoio, condicionado à liberação de 45 bilhões de euros a produtores europeus.

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Alemanha e Espanha esperam que o acordo seja assinado já no próximo dia 12 de janeiro.    

A negociação entre os dois blocos foi considerada concluída no final de 2024, mas a assinatura prevista para dezembro, durante a cúpula do Mercosul, em Foz do Iguaçu, acabou sendo frustrada por pressões de França e Itália, o que irritou lideranças do bloco sul americano, como o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva.

Agora, foi a vez do bloco europeu fazer acenos: além da liberação de recursos vultosos, a Comissão Europeia garantiu que pretende reduzir tarifas de importação para alguns tipos de fertilizantes, como amônia e ureia. 

Além disso, uma proposta legislativa quer suspender o imposto de fronteira sobre o carbono.    

A mudança na postura europeia se dá dias após a invasão da Venezuela pelos Estados Unidos, que agora pressiona a Dinamarca a vender a Groenlândia sob risco de nova incursão militar. 

O mundo se espreme em zonas de influência criadas a partir dos Estados Unidos, Rússia e China, no que vem sendo chamado de “a nova era dos impérios” e nunca foi tão decisiva a abertura de rotas econômicas em um momento em que o multilateralismo é colocado contra a parede.   

O que (ainda) está faltando?

Um dos maiores obstáculos continua a ser a pressão de países membros com forte lobby agrícola, como França e Itália, que temem a concorrência de produtos sul-americanos com menores tarifas. Polônia e Hungria também são contra.