Dia Mundial do Queijo: conheça a receita brasileira que é patrimônio imaterial da Unesco

    Só podia ser de Minas Gerais: o Queijo Minas Artesanal teve processo produtivo imortalizado pelo seu valor histórico e cultural

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    Dia Mundial do Queijo: conheça a receita brasileira que é patrimônio imaterial da Unesco
    20deJaneirode2026ás11:08

    Amantes de queijo espalhados pelo mundo inteiro têm um motivo especial para comemorar, nesta terça-feira (20). Hoje é o dia Mundial do Queijo, data que celebra uma das mais versáteis e queridas criações da culinária humana. 

    Do aperitivo à sobremesa, das tábuas sofisticadas aos lanches do dia a dia, o queijo é capaz de unir povos, culturas e paladares diferentes em volta de uma mesma mesa.

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    No Brasil, essa celebração ganha um tempero especial: os queijos artesanais, em particular os de Minas Gerais, têm conquistado espaço e reconhecimento internacional, tanto pela diversidade quanto pela conexão com tradições familiares e saberes transmitidos de geração em geração.

    É o caso do mais tradicional deles: o Queijo Minas Artesanal (QMA), que emplacou uma visibilidade inédita junto à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), sendo reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.

    Um marco para Minas e o Brasil.    

    O queijo que atravessa gerações

    Um levantamento inédito divulgado pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-MG) aponta que, em 2025, as agroindústrias familiares de Minas Gerais produziram 43 mil toneladas de queijos, um número que reflete tanto a importância econômica quanto o peso cultural desse alimento no estado. 

    São mais de 12,5 mil empreendimentos espalhados por mais de 800 municípios, muitos deles mantendo técnicas artesanais e identidades únicas, totalizando 8,8 mil agroindústrias familiares.

    A maior parte dessa produção, cerca de 32,1 mil toneladas, é composta por queijos artesanais feitos com leite cru, o que representa mais de 74% de toda a produção familiar no estado.

    Entre eles, o tradicional Queijo Minas Artesanal (QMA) brilha como protagonista, com aproximadamente 18,4 mil toneladas produzidas em 2025 e presença marcante em mesas e festivais.

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    Herança cultural e reconhecimento internacional

    O charme e a autenticidade do Queijo Minas Artesanal vão além do sabor: sua produção tradicional foi incluída, em 2024, na Lista do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco, um reconhecimento que valoriza não apenas o alimento, mas os saberes, técnicas e tradições das comunidades que o produzem há séculos.

    Trata-se de um marco histórico: é a primeira vez que um produto alimentar brasileiro é reconhecido como patrimônio cultural imaterial pela agência das Nações Unidas.

    O título ajuda a projetar as tradições queijeiras para além das fronteiras, atraindo olhares curiosos de turistas, chefs e amantes de gastronomia do mundo todo.

    Existem dez regiões no estado caracterizadas como produtoras de Queijo Minas Artesanal: Araxá, Campo das Vertentes, Canastra, Cerrado, Diamantina, Entre Serras da Piedade ao Caraça, Serra do Salitre, Serras da Ibitipoca, Serro e Triângulo Mineiro.

    Muito além de Minas

    Se Minas Gerais é um dos paraísos dessa tradição no Brasil, outros estados, como São Paulo e Santa Catarina, por exemplo, também guardam suas riquezas queijeiras, com variedades regionais que encantam paladares e contam histórias de terra, clima e resiliência.

    E a data de hoje é um convite para explorar essa diversidade: desde queijos frescos e cremosos até maturações mais complexas, cada pedaço traz uma assinatura única.

    Morro Azul entre os melhores do mundo

    Aconteceu. O Brasil já tem um queijo nacional que pode se apresentar como um dos melhores do mundo em 2026, ao lado de italianos, franceses e norte-americanos. 

    Após ficar entre os 100 melhores do mundo pela Taste Atlas em 2025, o queijo Morro Azul, produzido em Santa Catarina, figurou entre os melhores do planeta na publicação especializada Culture Magazine, uma referência no universo queijeiro. 

    Foram reunidos 65 queijos dos quatro cantos do globo, uma seleção meticulosa que trouxe à tona a nata do que é produzido em termos de excelência mundo afora.

    E lá está o Morro Azul, único representante brasileiro, produzido na pontinha do dedo pela Queijos Pomerode, com leite de vaca e um processo artesanal de maturação, em que a peça é abraçada por uma cinta de madeira, técnica que influencia diretamente na formação da casca e no desenvolvimento da textura.  

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