Guerra no Oriente Médio pressiona preço dos alimentos e acende alerta no governo

    Alta do petróleo e do dólar, impulsionada por conflitos internacionais, pode encarecer alimentos no Brasil, afirma ministro

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    Guerra no Oriente Médio pressiona preço dos alimentos e acende alerta no governo
    05deMarçode2026ás14:34

    A escalada de conflitos internacionais, especialmente no Oriente Médio, pode pressionar o preço dos alimentos no Brasil.

    O alerta foi feito nesta quinta-feira (5) pelo ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, que apontou a relação direta entre guerra, petróleo, dólar e custos da produção agrícola.

    Apesar da preocupação com o cenário internacional, o ministro lembrou que o Brasil registrou desaceleração recente no preço dos alimentos.

    Segundo ele, a inflação do grupo alimentação e bebidas caiu de 7,69% em 2024 para 2,95% em 2025, com destaque para a alimentação no domicílio, que passou de 8,23% para 1,43%.

    Segundo o ministro, um eventual aumento no preço do petróleo e a valorização do dólar podem elevar o custo de insumos e impactar toda a cadeia produtiva, refletindo no preço final pago pelo consumidor.

    “Estamos preocupados. Espero que não tenha impacto. Mas, se aumentar o preço do petróleo, vai ter impacto. Se o dólar aumentar, vai ter impacto. Porque nós compramos fertilizantes em dólar. O preço do petróleo interfere na produção. Os preços da carne, da soja, do milho e de outros produtos estão precificados em dólar.”

    Em entrevista a emissoras de rádio durante o programa Bom Dia, Ministro, produzido pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Teixeira explicou que oscilações no mercado internacional acabam sendo repassadas para a economia brasileira.

    “Esses preços são transmitidos para o preço dos alimentos, gerando aumento. Rezo para que essa guerra não interfira no preço dos alimentos no Brasil”, ponderou.

    Clima

    As mudanças climáticas e seus efeitos sobre a produção agrícola também foram citadas como fator relevante para a formação dos preços dos alimentos.

    Para o ministro, mudanças de comportamento são necessárias para que o país avance na proteção ambiental, tanto no campo quanto nas cidades. Ele ressaltou que eventos climáticos extremos já afetam a produção agrícola e contribuem para a alta de preços.

    “Precisamos reflorestar, precisamos recuperar áreas degradadas, recuperar mananciais, recuperar áreas de proteção ambiental. Recuperar todas as áreas que possam ser recuperadas, seja na nossa propriedade, seja na nossa cidade, fazendo coleta seletiva de lixo”, afirmou.

    Paulo Teixeira também destacou o impacto direto do clima na formação de preços.

    "O clima no mundo inteiro afeta o preço dos alimentos. Precisamos cuidar do meio ambiente. Cuidar do tema ambiental é uma questão central. E isso significa mudança de comportamento”, disse o ministro.

    Reforma agrária

    Durante a entrevista, Paulo Teixeira também defendeu a reforma agrária como instrumento para fortalecer a agricultura familiar e reduzir desigualdades no campo.

    Segundo ele, a política contribui para ampliar a produção de alimentos e estimular o desenvolvimento rural.

    “O programa de reforma agrária garante produção de alimentos, diminuição das desigualdades, desenvolvimento no campo, e fixação do jovem no campo. Nós temos o Pronera (Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária), a escola Família Agrícola, e este jovem estuda e permanece no campo. Então, precisamos fazer a reforma agrária dentro da lei, diminuindo o conflito e garantindo paz no campo”, pontuou o ministro.

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