Brasil reduz produção de algodão, mas amplia exportações; entenda por quê

    País mantém liderança global mesmo com safra menor, apoiado na abertura de mercados e ganhos de competitividade

    Brasil reduz produção de algodão, mas amplia exportações; entenda por quê
    24deAbrilde2026ás11:22

    A safra brasileira de algodão 2025/2026  deve registrar recuo na produção, mas sem comprometer o avanço das exportações, movimento que reforça a consolidação do país como principal exportador global da pluma.

    De acordo com o relatório de abril da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), a produção está estimada em 3,82 milhões de toneladas, queda de 10% em relação ao ciclo anterior.

    A área plantada também recuou para 2,05 milhões de hectares (-5,5%), indicando um ajuste estratégico por parte dos produtores diante do cenário de preços.

    Apesar da safra menor, as exportações brasileiras devem alcançar 3,15 milhões de toneladas no ano comercial 2025/2026, alta de 11,1%, sustentadas pela ampliação de mercados e pela maior inserção do algodão nacional no comércio internacional.

    “A queda na produção da safra ocorre por uma reação natural ao mercado. Apesar da cotação da pluma ter melhorado recentemente, ainda segue com um preço muito baixo. Por esse motivo, alguns produtores optaram por aumentar a produção de milho, por exemplo, ao invés de manter as áreas dedicadas ao algodão que é uma produção mais cara”, afirmou Márcio Portocarrero, diretor executivo da Abrapa, em entrevista ao Agrofy News. 

    Segundo o relatório, a semeadura da safra já foi finalizada em todas as regiões produtoras do Brasil., com 70% das lavouras em fase de formação de maçãs.

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    Segundo ele, a redução reflete uma decisão econômica do produtor, e não, necessariamente, um problema de desempenho das lavouras.

    “Por se tratar de uma diminuição estratégica, tanto da área quanto da safra, não irão afetar o volume exportado”, disse. 

    Colheitadeiras operam em lavoura de algodão no Brasil durante safra 2025/2026 com avanço das exportações e liderança global

    Abertura de mercados sustenta avanço dos embarques

    O desempenho das exportações reflete, em grande medida, o trabalho de diversificação de destinos, especialmente na Ásia.

    “Nos últimos anos o Brasil vem investindo na expansão de mercados consumidores de algodão e o aumento das exportações é um reflexo disso”, afirmou Portocarrero.

    Um dos principais vetores desse avanço é a Índia. O volume exportado para o país saltou de 7 mil toneladas no ano comercial 2023/2024 para 253 mil toneladas entre agosto de 2025 e março de 2026, segundo o diretor executivo.

    A China segue como principal destino, concentrando cerca de 30% dos embarques no acumulado do ciclo.  

    No acumulado de agosto de 2025 a março de 2026, o Brasil exportou 2,34 milhões de toneladas, volume recorde para o período e 9,2% superior ao registrado no mesmo intervalo da safra anterior.

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    Clima entra no radar, mas cenário ainda sustenta produtividade

    No campo, o monitoramento climático segue no foco dos produtores. O relatório da Abrapa aponta alerta para a disponibilidade hídrica em áreas do Mato Grosso e perdas iniciais no algodão mais precoce na Bahia.

    Ainda assim, a avaliação do setor é de manutenção do potencial produtivo, com respaldo técnico das associações estaduais.

    “Embora o relatório aponte um alerta, o cenário geral ainda não indica, neste momento, um risco concreto de nova revisão para baixo na produtividade”, afirmou Portocarrero.

    De acordo com a Associação Mato-grossense de Produtores de Algodão (AMPA), as lavouras no estado seguem com bom desenvolvimento vegetativo e reprodutivo, com boa sanidade e manejo técnico consistente. Em regiões como o sul e o Vale do Araguaia, há sinal de atenção para a disponibilidade hídrica, especialmente em áreas de segunda safra e plantios mais tardios.

    Na Bahia, segundo a Associação Baiana de Produtores de Algodão (Abapa), o desempenho das lavouras tem sido superior ao da safra anterior, favorecido por um regime de chuvas mais regular ao longo do ciclo.

    “No entanto, até o momento, as condições climáticas, ainda que irregulares, têm sido suficientes para manter o potencial produtivo na maior parte das áreas”, disse.

    Atualmente, cerca de 70% das lavouras estão na fase de formação de maçãs, considerada decisiva para a definição da produtividade.

    Qualidade e sustentabilidade ampliam vantagem sobre os EUA

    No cenário internacional, o Brasil tem ampliado sua competitividade frente a outros grandes exportadores, como os Estados Unidos, que enfrentaram perdas recentes de produção por questões climáticas.

    Segundo Portocarrero, esse avanço também está ligado a ganhos estruturais dentro da cadeia produtiva brasileira.

    “A melhoria da qualidade da fibra é um ponto de atenção importante que vem apresentando melhoras desde a criação do programa SBRHVI”, afirmou.

    Outro diferencial está na certificação socioambiental da produção, cada vez mais exigida por compradores internacionais.

    “Atualmente 78% da produção nacional é produzido a partir dos parâmetros de responsabilidade socioambiental, isso garante que o algodão brasileiro seja consumido sem receio por clientes finais que se preocupam com a sustentabilidade”, disse.

    A estratégia comercial também tem papel relevante nesse avanço.

    “Esse trabalho de diversificação de mercados e abertura de novas fronteiras comerciais para o algodão está sendo essencial para levar o algodão brasileiro a novos patamares de exportação”, completou.

    Com a recomposição da oferta ao longo dos últimos ciclos, os estoques finais brasileiros devem atingir 880 mil toneladas até julho de 2026, alta de 381 mil toneladas em relação ao ano anterior.

    O aumento reforça a capacidade de atendimento ao mercado externo, mas também mantém no radar a possibilidade de pressão sobre os preços, especialmente em um cenário global de maior disponibilidade da commodity.

    Iniciativas de promoção internacional, como o programa Cotton Brazil, também têm ampliado a presença do algodão brasileiro em mercados estratégicos.

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