Quais as propostas da CNA para o próximo Plano Safra
Entidade quer R$ 623 bilhões e pressiona por mais crédito, juros menores e calendário plurianual
Por |
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) apresentou ao governo federal dez propostas para o Plano Safra 2026/2027, com um pedido total de R$ 623 bilhões em recursos.
O documento foi entregue ao ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, e detalha a divisão dos recursos voltados para a agricultura empresarial e familiar, além de reforço ao seguro rural.
>> SIGA O CANAL DO AGROFY NEWS NO WHATSAPP
>> ENCONTRE PRODUTOS E SOLUÇÕES PARA O AGRO NO AGROFY MARKET
A ideia geral é dar fôlego ao produtor em um cenário marcado por custos elevados, tensões geopolíticas, juros altos e incertezas climáticas.
As propostas giram em torno de três eixos principais: ampliação do crédito, fortalecimento da gestão de riscos e reequilíbrio financeiro do produtor.
Na prática, o valor representa uma ampliação relevante em relação ao plano atual, de R$ 516 bilhões, e reflete a necessidade crescente de financiamento para manter o ritmo de produção no campo.
Como esse dinheiro seria distribuído
A maior parte dos recursos sugeridos pela CNA vai para o coração da produção: o custeio.
- R$ 518,2 bilhões para a agricultura empresarial;
- R$ 104,9 bilhões para agricultura familiar;
- R$ 4 bilhões para subvenção ao prêmio do Seguro Rural.
Mudança de Calendário
Mais do que ampliar o volume de recursos, a CNA propõe a substituição do modelo anual do Plano Safra por um planejamento plurianual, capaz de dar mais previsibilidade ao produtor, às cooperativas e ao sistema financeiro.
Para a entidade, a atual estrutura, baseada em liberações anuais e sujeita a contingenciamentos, está em descompasso com o calendário do campo e compromete o planejamento de médio prazo, aumentando a incerteza de quem produz.
Mais Destaques
Expansão do crédito rural, com maior volume de recursos e ajustes nas regras de acesso, especialmente para programas como Pronaf e Pronampe;
Medidas para enfrentar o endividamento rural, incluindo mecanismos de renegociação e ajustes nas condições de financiamento;
Apoio à aprovação do Projeto de Lei 5.122/2023, que prevê o uso de recursos do Pré-Sal para custear um programa que pode chegar a R$ 30 bilhões, voltados a renegociação e até perdão de dívidas com foco em produtores afetados por crises climáticas;
Modernização do marco legal, com propostas ligadas à chamada “Lei do Agro 3”, voltadas a melhorar o ambiente de financiamento e reduzir inseguranças jurídicas.
Previsibilidade
Embora o número de R$ 623 bilhões chame atenção pelo volume, o documento deixa claro que a preocupação da entidade não é apenas quantitativa.
Há um esforço em tornar o Plano Safra num sistema mais previsível, menos dependente de ajustes anuais e mais integrado a instrumentos privados de financiamento.