Embrapa Agroenergia desenvolve insumos biológicos renováveis

Produtos visam tornar o país mais competitivo em bioeconomia

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Embrapa Agroenergia desenvolve insumos biológicos renováveis
23deMaiode2022ás14:44

A Embrapa Agroenergia (Brasília-DF) divulgou nesta segunda-feira produtos de suas pesquisas sobreinsumos biológicos, como biofertilizantes, nematicidas e nutracêuticos,  produzidos a partir de processos ambientalmente renováveis.

Os resultados, divulgados pela Embrapa Agroenergia nesta segunda-feira (23), foram alcançados em parceria com as empresas brasileiras Dimiagro Fertilizantes, Santa Clara Agrociência, Demetra Agroscience, Grupo Boticário, Zucca Alimentos, Neofungi e apoio do Sebrae e da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial – Embrapii.

“A disponibilização de insumos biológicos a partir de fontes renováveis insere a Embrapa no cenário da bioeconomia brasileira de forma inovadora, atendendo a um setor industrial que apresenta necessidade imediata de substituição de derivados petroquímicos por ingredientes biotecnológicos, mais sustentáveis e que atendam aos principais requisitos para a busca de ‘certificações verdes”, afirma Alexandre Alonso, chefe-geral da Embrapa Agroenergia.

Os resultados alcançados também visam a inserção estratégica e competitiva do Brasil na Bioeconomia e o cumprimento dos  Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU: ODS 7 (Energia limpa acessível); ODS 9 (Indústria, Inovação e Infraestrutura); ODS 12 (Consumo e Produção responsáveis) e ODS 17 (Parcerias e meios de implementação). 

“A geração de insumos biológicos renováveis contribui para o desenvolvimento de uma nova bioindústria brasileiracom foco em química verde, algo necessário diante da necessidade de reduzirmos a emissão de CO2 na atmosfera”, diz Patrícia Abdelnur, chefe de Transferência de Tecnologia, da Embrapa Agroenergia.

“Queremos cada vez mais promover o aumento da produção de insumos a partir de fontes renováveis para a aplicação em diversos tipos de indústria que buscam por matérias-primas sustentáveis”, complementa Bruno Laviola, chefe de P&D.

Dentre as pesquisas está um biofertilizante à base de microalgas da biodiversidade brasileira. Um extrato com bioestimulantes à base de algas encontradas na biodiversidade brasileira é o principal resultado do projeto Macrofert, desenvolvido pela Embrapa Agroenergia em parceria com a empresa Dimiagro Fertilizantes e com apoio do Sebrae e da Embrapii.

Para chegar ao produto final, a equipe de pesquisa analisou extratos importados de macroalgas marinhas nos quais foram descobertos fitormônios relacionados à duplicação celular, resistência a pragas e doenças e resiliência a fatores abióticos como a seca. A descoberta tem grande potencial de atender a empresas brasileiras que, em sua maioria, utilizam extratos importados para adicionar aos biofertilizantes nacionais.

Também está nas descobertas Nematicida obtido de resíduos agroindustriais. Nematicidas naturais capazes de controlar fitonematoides, praga que causa perda de produtividade em culturas economicamente importantes para o Brasil, da ordem de R$35 bilhões/ano (dados da Sociedade Brasileira de Nematologia), constituem o principal resultado do projeto Nematus, desenvolvido em parceria com as empresas Santa Clara Agrociência e Demetra Agroscience, com o apoio do Sebrae e da Embrapii.

Foi realizada a prospecção e validação do uso de substâncias químicas de origem renovável encontradas em resíduos agroindustriais. Nesse ponto, foram desenvolvidos e otimizados processos físico-químicos de extração para se obter metabólitos secundários tóxicos para nematoides, a partir de matérias-primas residuais em rendimentos predefinidos.

Além disso, também foi alvo das pesquisas a obtenção de extrato ativo a partir de microalga. Realizado em parceria com o Grupo Boticário (Cencoderma) e apoio da Embrapii, o principal resultado obtido pelo projeto Belas Artes foi a seleção de 10 linhagens produtoras de corantes naturais com potencial aplicação na indústria de cosméticos, sendo duas microalgas, duas leveduras, quatro fungos filamentosos e duas bactérias.

Para finalizar, um bioinsumo nutracêutico obtido a partir de resíduos de cogumelos é o principal resultado obtido pelo projeto MycoBioativos, desenvolvido pela Embrapa Agroenergia em parceria com as empresas Zucca Alimentos e Neofungi, com o apoio do Sebrae e da Embrapii. A equipe de pesquisa desenvolveu um processo para a obtenção de extratos brutos ricos em betaglucanas a partir de aparas de três espécies de cogumelos de importância comercial.

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