FPA repudia sessão solene da Câmara em homenagem ao MST

    Evento em alusão aos 40 anos do movimento gerou polêmica

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    FPA repudia sessão solene da Câmara em homenagem ao MST
    28deFevereirode2024ás14:33

    A Câmara dos Deputados homenageou hoje (28), em sessão solene, os 40 anos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). A sessão foi solicitada pelos deputados Luiza Erundina (Psol-SP), Valmir Assunção (PT-BA), Marcon (PT-RS) e João Daniel (PT-SE).

    O ato gerou reação imediata da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que repudiou a homenagem.

    De acordo com Alceu Moreira (MDB), deputado federal e ex-presidente da FPA, o MST não defende a reforma agrária e isso jamais pode ser objeto de defesa ou homenagem.

    “Todos sabem que aqui nesta casa tem um conjunto de parlamentares que desejam que o país tenha paz e que todos que precisam da terra para trabalhar tenham esse recurso. Então eu digo ao MST: “se quiserem reforma agrária, nós somos favoráveis. E isso eu nunca vou apoiar, homenagear ou ajudar”,

    Segundo Evair de Melo (PP-ES), a bancada vai seguir com o enfrentamento às invasões de terras e aos movimentos que promovem a destruição do país, tanto nas áreas rurais quanto nas grandes cidades.

    “Não vamos admitir o desrespeito ao direito de propriedade. Vamos honrar homens e mulheres que levantaram cedo e construíram seus patrimônios. É um movimento terrorista brasileiro e não vamos fugir desse debate”, disse o parlamentar.

    O deputado federal Marcel van Hattem (Novo-RS) criticou a condução da sessão que homenageou o MST.

    "Parlamentares foram impedidos de falar mesmo inscritos, essa é a democracia que eles defendem. Eu gostaria de fazer apenas perguntas a tribuna: por que será que o MST só no governo do Lula voltou a invadir e o governo parou de titular? Será que é porque querem apenas manter essa massa de manobra? Não podemos permitir isso."

    Dados

    Segundo a bancada ruralista, somente em 2023, o grupo promoveu 72 invasões Brasil afora, que incluiu um prédio do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e área sob responsabilidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Ao todo, foram 60 municípios invadidos.

    Após a sessão, o presidente da Frente Parlamentar Invasão Zero, deputado federal Luciano Zucco (PL-RS), protocolou na Presidência da Câmara, uma moção de repúdio contra a sessão solene.

    Defesa

    A deputada Luiza Erundina destacou a importância do MST para o avanço da reforma agrária e do combate às desigualdades no Brasil.

    “São 40 anos de história de luta, de sofrimento, de violência. Mas também de resultados”, disse.

    O ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai continuar com a reforma agrária.

    “O Brasil tem terra suficiente para acolher todos os agricultores que querem nela trabalhar”, disse.

    Marcon afirmou que o movimento é um elo fundamental na produção de alimentos no País, sendo hoje o maior produtor brasileiro de arroz orgânico.

    “Quem fala da pobreza, da miséria [dos assentamentos] é o mesmo que vai à feira do MST comprar comida sem veneno”, criticou.

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