IBGE revela cidades líderes da pecuária no Brasil: onde estão os maiores rebanhos e produções?
Em 2023, setor viu crescimento no número de bovinos e galináceos, mas queda de suínos

A Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM), divulgada hoje (dia 18) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontou onde estão os maiores rebanhos e produções no Brasil.
São Felix do Xingu, no Pará, Toledo, no Paraná, Itaberaí , em Goiás, Santa Maria de Jetibá, no Espírito Santo e Casa Nova na Bahia, são cidades do Brasil que ajudaram o setor a se destacar em rebanhos, por exemplo, no ano de 2023.
São Félix do Xingu (Pará), apesar da retração de 2,8% em relação a 2022, mais uma vez liderou o ranking municipal de efetivo de bovinos, com rebanho de 2,5 milhões de cabeças – equivalente a 9,8% do efetivo paraense, 3,9% da Região Norte e 1% do total brasileiro.
Corumbá (Mato Grosso do Sul) continuou com o segundo maior rebanho, 2,2 milhões de animais, alta de 8,5% em relação ao ano anterior. Porto Velho (Rondônia) manteve a terceira posição em 2023, com 1,8 milhão de bovinos
Mato Grosso se manteve detentor do maior rebanho estadual, com 14,2% do efetivo nacional – o equivalente a 34 milhões de animais, queda de 0,7% em relação ao ano de 2022. Pará segue com a segunda colocação, com 25 milhões de cabeças, alta de 1% em relação ao ano anterior.
Em terceiro lugar está Goiás com 23,7 milhões de animais, seguido por Minas Gerais e Mato Grosso do Sul.
Juntos, os cinco principais estados produtores de bovinos concentraram 52% do rebanho nacional.
Conheça as cidades recordistas em rebanhos:
Ranking por municípios por cabeças de animais
- Bovinos - São Felix do Xingu (PA): 2.452.095 milhões
- Suínos - Toledo (PR): 899.154 milhões
- Galináceos - Itaberaí (GO): 16.000.000 milhões
- Galinhas - Santa Maria de Jetibá (ES): 12.722.611 milhões
- Caprinos - Casa Nova (BA): 725.125 milhões
- Ovinos - Casa Nova (BA): 658.535 milhões

Cidades com maior produção pecuária
- Leite - Castro (PR) - 454.018 milhões litros
- Ovos de galinha - Santa Maria de Jetibá (ES) - 317.051 milhões dúzias
- Camarão - Aracati (ES) - 13.762.453 milhões de quilogramas
- Peixes - Nova Aurora (PR) - 20 milhões de quilogramas
- Mel de abelha - Arapoti (PR) - 1.187.702 milhões de quilogramas
Veja o Top 5 da pecuária no Brasil
Bovinos (cabeças)
- São Félix do Xingu (PA) - 2.452.095
- Corumbá (MS) - 2.150.382
- Porto Velho (RO) - 1.772.153
- Cárceres (MT) - 1.399.931
- Marabá - 1.305.000
Suínos
- Toledo (PR): 899.154 milhões
- Uberlândia (MG) - 608.919
- Marechal Cândido Rondon (PR) - 590.000
- Concórdia - 458.120
- Tapurah - 410.00

Galinhas
- Santa Maria de Jetibá (ES): 12.722.611
- Bastos (SP) - 10.475.500
- São Bento do Unaa (PE) - 4.450.00
- Primavera do Leste (MT) - 4.341.877
- Beberibe (CE) - 3.918.816
Galináceos
- Itaberaí (GO): 16.000.000
- Santa Maria de Jetibá (ES) - 15.124.735
- São Bento do Uma (PE) - 14.203.589
- Cianorte (PR) - 13.500.000
- Bastos (SP) - 12.550.420
Ovos (produção)
- Maria de Jetibá (Espírito Santo) - 317 milhões dúzias
- Bastos (São Paulo) 242.860
- Primavera do Leste (Mato Grosso) - 113.050
- São Bento do Una (Pernambuco) 108.354
- Beberibe (Ceará) - 87.483
Leite
- Castro (Paraná) 454,0 milhões de litros
- Carambeí (Paraná) 269,9 milhões de litros,
- Patos de Minas (MG) 211,1 milhões de litros
- Patrocínio (MG) - 144.551 milhões de litros
- Lagoa Formosa (MG)134.410 milhões de litros
Valor de produção da pecuária tem recorde
A produção total na Pecuária e Produção de Produtos de Origem Animal (PPM) em 2023 alcançou R$ 122,4 bilhões, representando um crescimento de 5,4% em relação ao ano anterior.
Embora o valor total da produção tenha crescido 5,4% em 2023, esse aumento representa o menor acréscimo percentual dos últimos cinco anos.
Dentre os produtos de origem animal, o setor bovino destacou-se com R$ 112,3 bilhões, um aumento de 4,5% comparado a 2022. Já a aquicultura obteve um desempenho notável, com R$ 10,2 bilhões em produção, o que equivale a um crescimento de 16,6%.
O rebanho bovino também atingiu um marco histórico em 2023, com 238,6 milhões de cabeças, o maior desde o início da série histórica em 1974. Embora esse número represente um crescimento de 1,6% em relação ao ano anterior, este é o menor aumento percentual registrado nos últimos três anos, sinalizando uma desaceleração no setor e uma possível inversão de ciclo na pecuária.

Enquanto o efetivo de bovinos e galináceos apresentou crescimento, o número de suínos registrou uma queda. Em contrapartida, a produção de leite e ovos de galinha alcançou níveis recordes, evidenciando um cenário misto para a pecuária em 2023.
O rebanho de suínos apresentou uma queda de 3,1%, resultante da diminuição da demanda, principalmente da China. No entanto, o abate de suínos continuou em níveis elevados, refletindo uma adaptação do setor às novas dinâmicas de mercado.
“A queda de suínos se deve a algumas incertezas no ano de 2023. Viemos de um aumento expressivo nos últimos anos por conta do volume de exportações, em especial para a China, suprindo a demanda deste país. Em 2023, essa demanda foi diminuindo. Outro ponto foram os custos de produção para os suinocultores”, explicou Mariana Oliveira, analista da PPM.
Números da pecuária em 2023
- Galináceos: 1,6 bilhão de aves
- Galinhas: 263,5 milhões de aves
- Bovinos: 238,6 milhões de cabeças
- Suínos: 43 milhões de cabeças
- Ovinos: 21,8 milhões de cabeças
- Codornas: 15,3 milhões de cabeças
- Caprinos: 12,9 milhões de cabeças
- Equinos: 5,8 milhões de cabeças
- Matrizes de suínos: 5 milhões de cabeças
- Bubalinos: 1,7 milhão de cabeças
Produtos da pecuária
- Leite: 35,4 bilhões de litros
- Ovos: 5 bilhões de dúzias
- Ovos de codorna: 250,3 milhões de dúzias
- Mel de abelha: 64,2 milhões de quilogramas

O destaque positivo do ano foi o setor de "ovos de galinha", que apresentou um crescimento de 17,3%, alcançando R$ 30,4 bilhões — R$ 4,5 bilhões a mais que no ano anterior. A aquicultura também se destacou, com um aumento de R$ 1,5 bilhão em relação a 2022.
O ano de 2023 também foi marcado por recordes nas exportações de carnes in natura, incluindo bovina, de frango e suína, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. A China se manteve como o principal destino da carne bovina, respondendo por 59,6% das exportações, embora o volume tenha caído 3,4% em comparação ao ano anterior.
No setor leiteiro, as importações de leite aumentaram significativamente, totalizando 199,2 mil toneladas, um crescimento de 87% em relação a 2022. Essa alta nas importações, combinada com uma demanda interna reduzida, pressionou os preços, fazendo com que o valor médio pago ao produtor caísse de R$ 2,31 por litro em 2022 para R$ 2,27 em 2023.
A pecuária bovina brasileira parece estar atravessando um novo ciclo produtivo. Nos últimos anos, a tendência de retenção de fêmeas para reprodução e aumento do rebanho começou a desacelerar.
Em 2023, observou-se um aumento no abate de fêmeas após a queda no preço da arroba do boi.
Mesmo assim, o rebanho bovino alcançou um novo recorde, atingindo 238,6 milhões de cabeças, um crescimento de 1,6%.
Produção Pecuária no Brasil em 2023: crescimento e recordes
Em 2023, o setor pecuário brasileiro apresentou resultados mistos, com crescimento em várias áreas, apesar de desafios econômicos. A produção total de leite alcançou 35,4 bilhões de litros, um aumento de 2,4% em relação ao ano anterior.
O valor total da produção de leite foi de R$ 80,4 bilhões, embora o preço médio pago ao produtor tenha caído para R$ 2,27 por litro, refletindo uma oferta crescente e uma demanda interna reduzida.
“A atividade leiteira vinha em declínio e agora ocorreu um aumento em 2023, embora o número de vacas leiteiras tenha apresentado leve queda de 0,1%. Então este aumento da produção do leite se deu em função do aumento de produtividade”, explicou Mariana Oliveira, analista da PPM.

Caprinos e Ovinos
O rebanho de caprinos cresceu 4,0%, totalizando 11,3 milhões de animais, enquanto o de ovinos aumentou 1,3%, chegando a 10,1 milhões. O Nordeste se destacou como o principal produtor, com a Bahia e Pernambuco liderando a produção, focando especialmente em mercados locais e exportações para nichos específicos.
Mel
A produção de mel atingiu um recorde de 64,2 milhões de quilos, com o Nordeste contribuindo com 39,9% do total. Esse crescimento é resultado de práticas apícolas aprimoradas e de uma demanda crescente por produtos naturais.
A Região Nordeste, que em 2022 ultrapassou a Região Sul em produção, observou um aumento de 4,1% no seu resultado, sendo responsável em 2023 por 39,9% do total nacional. Destacando-se o Piauí, com 13,8% da produção nacional, Ceará, com (8,9%), Bahia (7,4%) e Maranhão (5,0%).
Piscicultura
Na piscicultura, a produção de peixes cresceu 5,8%, totalizando 655,3 mil toneladas, com a tilápia representando 67,5% da produção.O peixe mais produzido no Brasil, desde o início do levantamento da piscicultura, é a tilápia. Em 2023 sua produção correspondeu a 67,5% do total de peixes.
Em relação ao ano anterior houve um aumento de 7,6%, e resultou em 442,2 milhões de quilos. O principal município em piscicultura em 2023 foi Morada Nova de Minas (Minas Gerais) que aumentou expressivamente sua produção, respondendo agora por 3,1% da produção nacional.

A produção de camarões também teve um desempenho positivo, atingindo 127,5 mil toneladas, um crescimento de 13%. Este setor se beneficiou de investimentos em infraestrutura e tecnologia de cultivo.
O valor de produção foi de R$2,63 bilhões, equivalente a um aumento de 18,3%. Essa estimativa corresponde a um recorde na série histórica da produção, que vem crescendo continuamente desde 2017.
Do total, 99,6% são provenientes da Região Nordeste, principalmente do Ceará (57,0%) e Rio Grande do Norte (19,4%).
