Papo de redação: quem provou as "retenciones" não recomenda, diz jornalista argentino

    Quinzenalmente, as redações do Agrofy News na Argentina e no Brasil comentam as notícias que podem impactar o agro em ambos mercados

    Papo de redação: quem provou as "retenciones" não recomenda, diz jornalista argentino
    28deFevereirode2025ás09:38

    O papo de redação está de volta! Os times de jornalistas do Agrofy News na Argentina e no Brasil realizam, a cada quinze dias, uma troca de informações sobre fatos relevantes, análises e decisões que podem impactar os mercados de ambos países.

    O editor-chefe do Agrofy News Brasil, Daniel Azevedo Duarte, e o redator do Agrofy News Argentina, Rodrigo Bonazzola, conversaram sobre os principais temas de interesse para a região.

    Confira a seguir:

    Rodrigo Bonazzola: Olá, Daniel. Desculpe a ausência, mas estive em um evento do agronegócio sobre bioinsumos.

    Daniel Azevedo Duarte: Olá, Rodrigo. Como estão as coisas na Argentina?

    RB: Com novidades, mas tudo sob controle. E no Brasil, como foi a agenda?

    DAD: Ufa, você tem tempo? (risos). A agenda gira em torno da política. Há preocupação.

    RB: O que aconteceu? Estão nos imitando? (risos)

    DAD: O ministro da Agricultura está em dúvida. A relação entre o governo e o setor do agro está tensa. O Brasil anunciou a suspensão das linhas de crédito do Plano Safra. A decisão gerou impacto no governo, e as críticas recaíram sobre o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro.

    RB: Estão pedindo a cabeça dele?

    DAD: Por enquanto, ele é tratado como um ministro enfraquecido. O líder da Frente Parlamentar da Agropecuária, Pedro Lupion, afirmou que já não negocia mais com o ministro da Agricultura.

    RB: Quase como na Argentina. "Funcionários que não funcionam", diria a ex-presidente Cristina Kirchner. O secretário de Agricultura, Sergio Iraeta, não aparece, não dá declarações. Ele só participou do anúncio da redução das retenções, mas, para conversar com o governo, o setor agropecuário fala diretamente com o ministro da Economia, Luis Caputo.

    DAD: Aqui o impacto foi forte. A reação foi tão grande que, no dia seguinte, criaram um crédito extraordinário para retomar as linhas. Além disso, o presidente Lula planeja uma reforma na estrutura dos ministérios, e o partido PT insiste com a ideia das retenções.

    RB: Que novela!

    DAD: Fávaro comprou uma briga com o PT e colocou seu cargo à disposição do presidente Lula caso ele apoie a ideia de taxar as exportações de produtos agropecuários. Não acha curioso que, enquanto a Argentina reduz as retenções, o Brasil insiste em aumentá-las?

    RB: Totalmente. Estamos indo em direções opostas. Para o campo argentino, as retenções são um imposto distorsivo. É uma disputa antiga, mas em 2008 se tornou uma bandeira de luta.

    Atualmente, de forma temporária, a soja paga 26% do valor FAS, enquanto o trigo e o milho pagam 9,5%.

    Esse imposto impacta diretamente o preço recebido pelo produtor e, consequentemente, reduz sua rentabilidade. A liderança rural argumenta que as retenções fizeram com que os produtores deixassem de investir em tecnologia ou investissem em menor escala. 

    O setor agropecuário argentino sempre se compara ao Brasil e aos avanços em sementes e máquinas agrícolas.

    Por exemplo, nós copiamos vocês na exportação de gado em pé. O governo de Milei revogou um decreto de 1973 que proibia essa comercialização. Agora há um debate sobre se isso é bom ou ruim para a produção pecuária.

    DAD: Interessante.

    RB: O Agrofy News conversou com dois consultores, que acreditam que pode ser benéfico para os produtores. No entanto, há dúvidas sobre o impacto para a indústria. O debate está acalorado, enquanto a agricultura respira aliviada com as últimas chuvas.

    A Bolsa de Comércio de Rosário destacou que a recuperação está melhor do que o esperado. Os especialistas afirmam: "Está se consolidando uma mudança de tendência na soja: passamos do desastre para o aceitável".

    DAD: Boas notícias para vocês. Aqui, o mercado da soja pressiona os preços no Brasil. À medida que a colheita avança – cerca de 40% do total estimado –, as cotações e as exportações caem.

    RB: Está abaixo do esperado?

    DAD: Os preços da soja caíram mais de 7% em relação à média de dezembro, e as exportações despencaram 74% desde o início de 2025. O principal motivo é a desaceleração das importações da China, o maior destino da soja brasileira. 

    O Brasil prevê um recorde histórico na produção de soja, podendo ultrapassar 170 milhões de toneladas, segundo algumas estimativas. Se a China comprar menos, o preço pode despencar a níveis insustentáveis para os produtores. Espero que não aconteça.

    RB: Tomara. Na Argentina, acompanhamos de perto a demanda do gigante asiático, já que também nos impacta.

    Mas há outra região ganhando cada vez mais protagonismo nas exportações argentinas: o Sudeste Asiático, com o Vietnã na liderança.

    Por falar nisso, comentei que estive em um evento sobre bioinsumos. Tive uma grata surpresa. Há entusiasmo, mas os produtores ainda não adotaram completamente a tecnologia.

    DAD: O que dizem as empresas?

    RB: De modo geral, as empresas concordam que esses insumos são o futuro. Algumas acreditam que a falta de rentabilidade atrasa a adoção, pois a sustentabilidade acaba ficando em segundo plano. Outras apontam para a falta de conhecimento por parte dos produtores.

    DAD: Faz sentido, é um ponto interessante. Aqui no Brasil, o setor de bioinsumos avança a passos rápidos, com taxas de dois dígitos a cada ano. Também há consenso de que os insumos biológicos e o manejo integrado, que inclui os químicos, são o futuro.

    Meu amigo, seguimos em contato. Preciso escrever sobre a tensão política envolvendo o ministro da Agricultura e as "retenciones" brasileiras.

    RB: Vá lá! Vamos acompanhar as informações pelo news.agrofy.com.br. Abraço!

    Temas nesta notícia