Apesar de pressão do MST, mortes por conflitos no campo caem 72% desde 2022
MDA atribui queda à retomada das políticas de reforma agrária

O número de assassinatos decorrentes de conflitos agrários caiu 72% nos últimos três anos, segundo dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA).
Em 2022, foram 47 mortes; em 2023, 31; e em 2024, 13 — o menor número da última década. A expressiva queda coincidiu com um maior número de invasões de terras no período, especialmente, por grupos organizados como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
“Esse número não nos contenta. O que pode nos contentar é quando ele for zero e nenhuma pessoa morrer por conflito agrário no Brasil”, afirmou o ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira.
Segundo ele, a partir de 2023, uma série de ações do governo e até em parceria com o Judiciário, a polícia e o Incra favoreceram a redução, assim como a retomada das políticas de reforma agrária.
De acordo com a pasta, foram entregues 15 mil novos assentamentos, com expectativa entre 2023 e abril deste ano e a expectativa é de chegar a 30 mil até o fim do ano.
O governo tem concentrado esforços especialmente em regiões historicamente marcadas por violência no campo, como Pau D’Arco (PA), onde dez agricultores foram mortos em 2017.
Mais conflitos
Apesar da queda nas mortes, o número total de conflitos no campo aumentou. O relatório anual da Comissão Pastoral da Terra (CPT), lançado em 23 de abril, aponta crescimento nas disputas por terra (de 1.724 para 1.768) e por água (de 225 para 266) entre 2023 e 2024.
O Maranhão lidera os registros de violência contra ocupações de terra, com 363 casos.
Conflitos trabalhistas, relacionados ao trabalho análogo à escravidão, foram a única categoria com redução, somando 151 ocorrências em 2024, número considerado subnotificado pela CPT.
Entre as vítimas de violência agrária, os povos indígenas representaram 29%, seguidos por posseiros (25%), quilombolas (13%) e integrantes do MST (11%). No mesmo período, o país registrou o maior número de ameaças de morte da última década: 272 casos.
