Moagem de cana recua 11,85% e produção de etanol cai no Centro-Sul

    Menor qualidade da cana e queda na moagem afetam produção de etanol, mas milho ganha espaço na nova safra

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    Moagem de cana recua 11,85% e produção de etanol cai no Centro-Sul
    16deJunhode2025ás16:16

    A moagem de cana-de-açúcar no Centro-Sul atingiu 47,84 milhões de toneladas na segunda quinzena de maio, superando o volume processado no mesmo período da safra anterior (45,36 milhões).

    Apesar do avanço pontual, o acumulado da safra 2025/2026 até o fim de maio mostra queda de 11,85%, com 124,77 milhões de toneladas, ante 141,54 milhões no mesmo intervalo do ciclo anterior.

    Sete novas unidades iniciaram operação no período, totalizando 252 unidades em atividade no Centro-Sul: 232 com processamento de cana, 10 produtoras de etanol de milho e outras 10 usinas flex.

    Os números são semelhantes aos da safra passada, quando havia 251 unidades em funcionamento.

    ATR registra queda

    A qualidade da matéria-prima também apresentou recuo. O índice de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) ficou em 124,87 kg por tonelada na segunda metade de maio, frente aos 130,15 kg registrados no mesmo período do ciclo anterior — retração de 4,06%.

    No acumulado da safra, o ATR está em 117,02 kg/t, queda de 4,13%.

    Açúcar cresce no mês, mas recua no acumulado

    A produção de açúcar totalizou 2,95 milhões de toneladas na segunda quinzena de maio, crescimento de 8,86% sobre o mesmo período da safra anterior. No acumulado até 1º de junho, no entanto, a fabricação soma 6,95 milhões de toneladas, recuo de 11,64% em relação ao ciclo anterior.

    Embora o mix mais açucareiro nesta safra (49,99%) supere o do ciclo passado (47,81%), a queda na moagem e no ATR limita o avanço da produção.

    açucar

    Etanol de milho sustenta desempenho do setor

    A produção de etanol pelas usinas do Centro-Sul somou 2,06 bilhões de litros na quinzena — sendo 1,25 bilhão de hidratado (-3,21%) e 811,58 milhões de anidro (-2,98%).

    No acumulado da safra, a produção totaliza 5,74 bilhões de litros, queda de 11,36% em relação ao mesmo período da safra 2024/2025. O volume de etanol hidratado caiu 11,29% (3,85 bilhões), e o de anidro recuou 11,51% (1,89 bilhão).

    Um destaque é o avanço do etanol de milho, que representou 18,01% do total produzido na quinzena, com 370,39 milhões de litros, aumento de 12,29% na comparação anual. No acumulado, a produção do biocombustível de milho atingiu 1,45 bilhão de litros, alta de 23,46%.

    Vendas domésticas estáveis, com leve viés negativo

    As vendas totais de etanol em maio somaram 2,99 bilhões de litros, praticamente o mesmo volume da safra anterior. O etanol anidro teve alta de 6,35% (1,11 bilhão), enquanto o hidratado caiu 4,16% (1,89 bilhão).

    No mercado interno, foram comercializados 1,82 bilhão de litros de hidratado, queda de 4,50%, e 1,08 bilhão de anidro, alta de 7,93%.

    No acumulado da safra até o fim de maio, as vendas somam 5,77 bilhões de litros (-1,92%), sendo 3,72 bilhões de hidratado (-5,23%) e 2,06 bilhões de anidro (+4,69%).

    Etanol mais vantajoso na bomba em 187 cidades

    Levantamento da ANP entre 1º e 7 de junho mostrou que o preço do etanol estava abaixo da paridade técnica com a gasolina em 187 dos 371 municípios pesquisados. O biocombustível segue mais vantajoso especialmente em São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná, onde a média de preços está abaixo da paridade há quase dois anos.

    “Os dados da ANP indicam que todos os municípios amostrados nesses estados registraram preço do etanol economicamente vantajoso em relação à gasolina, reforçando a expectativa de manutenção do consumo do biocombustível”, disse Luciano Rodrigues, diretor de Inteligência Setorial da UNICA.

    “O diferencial relativo de preços do etanol hidratado e da gasolina nos postos revendedores está em 67,8% na média do País, oferecendo uma alternativa viável para o consumidor brasileiro economizar e descarbonizar”, acrescentou.

    Exportações e mercado de CBios

    As exportações de etanol em maio somaram 88,28 milhões de litros, queda de 9,41% sobre o mesmo mês do ciclo anterior. O volume incluiu 62,65 milhões de litros de hidratado (+7,14%) e 25,63 milhões de anidro (-34,25%).

    Já no mercado de CBios, dados da B3 até 13 de junho indicam a emissão de 19,13 milhões de créditos em 2025. O total disponível para negociação soma 28,92 milhões de créditos, considerando emissores, partes obrigadas e não obrigadas.

     

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