Tarifaço de Trump melhora popularidade de Lula, diz pesquisa Quaest
Movimento ocorre após uma sequência de desgastes para o Planalto
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Após atingir o pior índice de aprovação desde o início do mandato em junho — com apenas 40% de avaliação positiva e 57% de desaprovação — o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) viu sua popularidade reagir em julho.
Segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta semana, a aprovação do governo subiu três pontos, de 40% para 43%, enquanto a desaprovação recuou para 53%, reduzindo o saldo negativo de 17 para 10 pontos percentuais.
O movimento ocorre após uma sequência de desgastes para o Planalto: crise com o Congresso em torno do decreto do IOF, alta nos preços dos alimentos e combustíveis, crise do Pix, críticas à proposta de justiça tributária e escândalos envolvendo o INSS.
O que surpreendeu foi o fator que reverteu parcialmente esse cenário: a imposição de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros anunciada por Donald Trump, em carta enviada diretamente ao presidente Lula.

Trump erra e prejudica, dizem os brasileiros
A pesquisa mostra que a reação da população brasileira ao chamado "tarifaço" de Trump foi amplamente negativa:
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72% consideram que Trump está errado ao impor taxas por acreditar que há perseguição a Jair Bolsonaro no Brasil;
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79% afirmam que as tarifas vão prejudicar suas vidas ou as de suas famílias;
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Apenas 19% apoiam a atitude do ex-presidente americano, enquanto 9% não souberam ou não responderam;
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E 53% defendem que o Brasil reaja com tarifas equivalentes aos produtos americanos.

O cientista político e CEO da Quaest, Felipe Nunes, avalia que o episódio teve impacto direto no comportamento político do eleitorado.
“A melhora da popularidade do governo não veio da base tradicional de Lula, mas de fora dela”, afirma. Segundo ele, o conflito diplomático mobilizou lulistas, setores de centro e até parte dos indecisos.
Segundo a pesquisa, 66% dos entrevistados ficaram sabendo da carta enviada pelo ex-presidente dos EUA a Lula, 79% acreditam que as tarifas impostas pelos EUA vão prejudicar suas vidas e 72% consideram que Trump errou ao justificar as medidas com base em perseguição a Bolsonaro.
“O novo tarifaço teve efeito imediato: unificou lulistas, eleitores de esquerda e setores moderados, ao mesmo tempo que dividiu a direita. O centro, portanto, se aproximou do governo”, explica Felipe.
Na comparação entre os lados políticos, Lula leva vantagem: 44% acreditam que ele está se saindo melhor que Bolsonaro, contra 29% que pensam o contrário. Esses dados reforçam o resultado principal deste estudo: Trump ajuda o governo Lula a recuperar popularidade.
Centro político se aproxima de Lula
Esse cenário teve impacto direto no jogo político. O embate com o ex-presidente dos EUA acabou reforçando a imagem de Lula como defensor da soberania nacional, unificando sua base e aproximando setores moderados. Houve avanço especialmente entre:
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Moradores do Sudeste: saldo entre aprovação e desaprovação subiu de -32 para -16 pontos;
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Pessoas com ensino superior completo: de -31 para -8 pontos;
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Eleitores de renda média: de -19 para -9 pontos.

Entre os eleitores mais polarizados, o cenário pouco mudou: a aprovação segue acima de 80% entre lulistas e abaixo de 12% entre bolsonaristas.
O avanço ocorreu, principalmente, entre os moderados, onde o saldo negativo caiu de -28 para -16 pontos. “Entre os mais polarizados, não há grandes mudanças”, resume Felipe Nunes.
Conflito com Trump ofusca economia e justiça tributária
A percepção sobre a economia também melhorou levemente: caiu de 56% para 46% o percentual de brasileiros que avaliam que a situação econômica piorou nos últimos 12 meses.
Mas o otimismo futuro diminuiu: 43% acreditam que a economia deve piorar nos próximos 12 meses, o maior índice da série histórica da Quaest. Isso indica que o tarifaço também provocou apreensão em relação ao futuro.
Quanto à campanha de justiça tributária, o impacto ainda é tímido. Apenas 17% afirmam ter visto os vídeos do governo com inteligência artificial, e 43% ouviram falar do conceito. Quando apresentada como uma disputa entre ricos e pobres, a ideia perde força: 53% acham que esse discurso aumenta a polarização no país.
Unidade nacional e vantagem no embate com Bolsonaro
A carta de Trump, que fazia críticas ao governo Lula e defendia Bolsonaro, não apenas falhou em sensibilizar o eleitorado brasileiro, como gerou efeito reverso. Para 66% dos entrevistados, a notícia da carta já era conhecida, e 44% consideram que Lula está se saindo melhor do que Bolsonaro no atual cenário político — contra 29% que pensam o contrário.
Além disso, 84% dos brasileiros defendem que governo e oposição devem se unir para proteger o Brasil diante da crise comercial com os EUA.