Mercado de amendoim movimenta R$ 18,6 bilhões e leva Brasil ao 3º lugar em produtividade mundial
Mapeamento da ABEX-BR mostra salto de 300% na produção em uma década e adoção crescente de tecnologia no campo
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Com um crescimento de 300% na produção em uma década, o Brasil consolidou-se entre os líderes globais da cultura do amendoim.
Segundo o “Mapeamento e Quantificação da Cadeia do Amendoim Brasileiro”, apresentado pela ABEX-BR em 3 de dezembro, em Ribeirão Preto (SP), o país alcançou a terceira maior produtividade média do mundo, com 3,8 toneladas por hectare.
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O levantamento revela que a evolução da cadeia não se limita ao volume produzido: há um avanço claro em excelência técnica.
O setor movimentou R$ 18,6 bilhões, com a produção mais que triplicando entre as safras 2014/2015 e 2024/2025, um salto diretamente ligado à adoção de tecnologias de precisão.
“A alta produtividade, que nos coloca lado a lado com países como China e Estados Unidos, é um atestado da qualidade da nossa pesquisa e da capacidade do produtor brasileiro de aplicar inovações. Temos mais de 64% dos produtores utilizando agricultura de precisão, o que garante melhor aproveitamento do solo e maior rentabilidade. Este é o futuro sustentável do agronegócio”, afirma Cristiano Fantin, presidente da ABEX-BR.

Rotação de culturas como vantagem competitiva
O estudo destaca ainda o papel agronômico do amendoim. Por ser uma leguminosa capaz de fixar nitrogênio no solo, ele melhora as condições para cultivos subsequentes, reduz a necessidade de fertilizantes e contribui diretamente para a redução de custos na lavoura. Esse efeito tem impulsionado sua adoção em sistemas de rotação de culturas em diversas regiões produtoras.
O mapeamento também detalha como a cadeia opera com aproveitamento integral dos subprodutos:
Exportação e qualidade: protocolos de segurança e rastreabilidade elevaram o Brasil ao posto de 2º maior exportador de óleo de amendoim e 4º maior exportador de amendoim em grão, atendendo mercados internacionais exigentes.
Aproveitamento total da matéria-prima: farelo e torta, ricos em proteína, são destinados à nutrição animal; já a casca, que representa entre 20% e 25% do peso colhido, é convertida em pellets usados na geração de energia.
Expansão geográfica e nova dinâmica de produção
O estudo aponta crescimento superior a 200% na área plantada em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais. A cultura vem ganhando espaço como segunda safra em regiões de fronteira agrícola, reforçando sua versatilidade e atratividade econômica.
“O amendoim está se consolidando como cultura de segunda safra altamente rentável em novas fronteiras agrícolas. Essa expansão não só dilui os riscos climáticos e geográficos, mas também reafirma a versatilidade do amendoim no planejamento agrícola do país. Com os dados deste livro, temos a inteligência necessária para planejar a infraestrutura e o financiamento que essa nova geografia de produção exige”, acrescenta Fantin.
O estudo foi financiado pelo Núcleo de Promoção e Pesquisa (NPP) da ABEX-BR e já está disponível para consulta no site da associação.