Brasil fecha acordos com a Coreia do Sul e destrava novos mercados para o agro
Parcerias envolvem tecnologia, defesa e agricultura e avançam em negociações sanitárias para carnes, ovos e frutas
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Nas contas do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o Governo Federal já abriu, desde 2023, 538 novos mercados para produtos do agronegócio brasileiro.
O mais recente movimento envolve a Coreia do Sul, após visita oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a Seul. O avanço ocorre em meio à aproximação diplomática entre os dois países, acompanhada de negociações técnicas e ajustes regulatórios.
Durante fala conjunta nesta segunda-feira (23), os presidentes Lula e Lee Jae-myung, no Fórum Empresarial Brasil-Coreia do Sul, sinalizaram a intenção de ampliar o fluxo comercial, com foco em carne bovina, soja, produtos agroindustriais, tecnologia, medicamentos e desenvolvimento de vacinas.
Atualmente, o comércio bilateral gira em torno de US$ 11 bilhões — patamar considerado abaixo do potencial entre as duas economias.
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Mercado exigente e estratégico
A Coreia do Sul reúne um dos mercados consumidores mais sofisticados da Ásia. Com alto poder aquisitivo e forte exigência por qualidade e rastreabilidade, o país se consolida como destino estratégico para produtos brasileiros, especialmente da cadeia de proteína animal.
Nesse cenário, os acordos firmados em Seul surgem no momento em que o Brasil busca ampliar sua presença no mercado asiático, agregando valor às exportações e garantindo maior previsibilidade comercial.
Embora parte das tratativas ainda esteja em nível diplomático, o governo brasileiro já sinalizou alguns pontos centrais:
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Ampliação do acesso para carnes, grãos e produtos de maior valor agregado;
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Redução de barreiras burocráticas, com impacto direto no custo e na agilidade do comércio;
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Cooperação em tecnologia agrícola e pesquisa;
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Estímulo a investimentos sul-coreanos em áreas como biotecnologia, infraestrutura e logística.
A efetiva redução de tarifas e a consolidação de novos protocolos sanitários ainda dependem de negociações específicas, mas o sinal político é claro: há interesse mútuo em aprofundar a relação comercial.
Carne bovina ganha protagonismo
Entre os setores mais beneficiados, a carne bovina aparece como destaque. O Brasil já é um dos maiores exportadores globais da proteína, enquanto a Coreia do Sul representa um mercado premium, com consumidores dispostos a pagar mais por cortes de alta qualidade, utilizados em pratos tradicionais como o bulgogi.
A Coreia do Sul confirmou que realizará auditorias em plantas frigoríficas brasileiras. “Cumprimos todos os protocolos e o presidente Lee garantiu de forma expedita que vai fazer auditoria nas plantas frigoríficas brasileiras”, disse o ministro Carlos Fávaro.
O avanço nas negociações abre espaço para ampliar participação nesse mercado, com ganhos de valor ao longo de toda a cadeia produtiva.
A estratégia também se insere em um movimento mais amplo do governo brasileiro de diversificar destinos de exportação, reduzindo a dependência de grandes compradores, como a China, e fortalecendo a presença no comércio global.
Fávaro detalha avanços sanitários e abertura de mercado
Além dos acordos institucionais, o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, detalhou outros avanços concretos nas negociações sanitárias, consideradas essenciais para a efetiva abertura de mercado.

Segundo ele, houve progresso na exportação de ovos, com a Coreia do Sul já confirmando o recebimento da documentação necessária. A expectativa é que o certificado seja emitido nos próximos dias.
“O presidente sul-coreano confirmou que recebeu toda a documentação para a abertura do mercado do ovo brasileiro para a Coreia do Sul. Aguardamos nos próximos dias a emissão do certificado”, afirmou o ministro.
Também foi confirmada a realização de auditoria por técnicos sul-coreanos para viabilizar a entrada da uva brasileira no país, ampliando a diversificação da pauta exportadora.
Na suinocultura, avançaram as tratativas para ampliar o número de estados brasileiros autorizados a exportar. Regiões reconhecidas pela Organização Mundial de Saúde Animal como livres de febre aftosa e peste suína clássica poderão ser avaliadas pelo governo sul-coreano. “Um avanço importante para a nossa suinocultura”, declarou Fávaro.
As medidas integram a agenda da missão oficial brasileira e reforçam a cooperação sanitária e comercial entre os dois países, abrindo caminho para a ampliação das exportações do agronegócio.