DDGS ganha espaço na pecuária e pode virar nova commodity do agro
Expansão do etanol de milho amplia oferta de DDGS no Brasil, enquanto a Inpasa investe em pesquisa, tecnologia e marca para diferenciar o produto na nutrição animal

Rafael Verruck, diretor de Trading M.I Óleo e DDGS da Inpasa, afirma que o DDGS já é considerado uma commodity em nível global. (Foto - Fabio Manzini)
O crescimento da indústria de etanol de milho no Brasil tem impulsionado a oferta de DDGS, grãos secos de destilaria com solúveis, e ampliado o uso do insumo na nutrição animal.
Já consolidado em confinamentos bovinos, o produto começa a ganhar espaço em outras cadeias da produção animal e pode se tornar uma nova commodity relevante do agronegócio brasileiro.
A avaliação é de Rafael Verruck, diretor de Trading M.I Óleo e DDGS da Inpasa, que falou à reportagem durante evento de lançamento da marca FortiPro, nova linha de nutrição animal da empresa.
“O DDGS hoje, a nível global, já é considerado uma commodity. A única diferença é que ele ainda não tem uma precificação em bolsa”, afirmou Verruck.
Segundo o executivo, a expansão da produção de etanol de milho no Brasil e o aumento da oferta do coproduto devem consolidar ainda mais o mercado do insumo no país.
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Uso já consolidado na pecuária de corte
O DDGS é obtido durante o processo de fermentação do milho para produção de etanol. No processo industrial, os componentes do grão que não são convertidos em álcool — como proteínas, fibras e lipídios — permanecem concentrados no produto final, que passa a ser utilizado na alimentação animal.
De acordo com Verruck, o ingrediente já está amplamente difundido em sistemas intensivos de produção, especialmente na pecuária de corte.
“Hoje os grandes confinamentos, na sua essência, todos já utilizam esse insumo. A pecuária de corte olha para o DDGS com muito bons olhos, tanto pelas características técnicas quanto pela disponibilidade do produto ao longo do ano”, disse.
O executivo destaca que, além da proteína, o insumo também fornece energia à dieta dos animais, podendo substituir parcialmente ingredientes tradicionais, como milho e farelo de soja.
“Ele não é só uma proteína. Ele também tem extrato etérico, que é uma energia utilizada na dieta e ajuda a compor a formulação nutricional”, explicou.
Produto disponível o ano todo
Outro fator que tem impulsionado a adoção do DDGS no Brasil é a disponibilidade contínua do produto, ao contrário de insumos agrícolas sujeitos à sazonalidade das safras.
