Lula deve ficar fora da Agrishow após presença ser cogitada nos bastidores
Governo escala Geraldo Alckmin e André de Paula para representar o Planalto, enquanto pré-candidatos ampliam presença na feira

A possível participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na abertura da Agrishow, especulada há semanas, voltou ao radar político nesta sexta-feira (24).
Ao longo do dia, porém, o cenário virou e passou a indicar ausência — ao menos neste primeiro momento da feira, que dá largada neste domingo em Ribeirão Preto (SP).
A presença de Lula chegou a ser cogitada nos bastidores, segundo o Estadão/Broadcast. O movimento, caso confirmado, teria impacto direto no protocolo do evento: o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, ficaria fora da abertura e participaria em outra data.
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No fim da tarde, porém, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) esfriou o cenário. Em nota ao Broadcast Político, informou que o governo federal será representado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin e pelo ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula.
Se confirmada a ausência, Lula vai encerrar o atual mandato sem participar da Agrishow.
Desde o início do governo, o presidente não compareceu à feira, mantendo distância de um dos principais eventos do agronegócio. Em 2025, nem mesmo o então ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, esteve presente.
Coube a Alckmin e ao então ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, representar o governo. Este último causou polêmica na edição ironizando adversários.
Nos bastidores, a eventual ida de Lula era vista como um gesto político relevante, especialmente em um momento de tentativa de reaproximação com o agronegócio. Em cenário eleitoral, a presença poderia abrir espaço para anúncios e acenos ao setor. Ainda assim, a manutenção de André de Paula na agenda já é interpretada como um movimento para reduzir ruídos, diante das ausências anteriores de Fávaro.
Pré-campanha entra em campo na feira
Enquanto o Palácio do Planalto mantém distância, a Agrishow deve ganhar peso como palco político. O pré-candidato do PL à Presidência, o senador Flávio Bolsonaro (RJ), fará sua primeira aparição pública de pré-campanha ao lado de Tarcísio de Freitas na próxima segunda-feira (27).
Outros nomes também devem circular pelo evento. Estão confirmadas as presenças do ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), pré-candidato à Presidência, e do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), cotado como possível vice em sua chapa e também para se lançar ao cargo de presidente.
A movimentação faz parte de uma estratégia de aproximação com o agronegócio, setor considerado estratégico na corrida presidencial.
A tendência é de que a feira, além de vitrine de tecnologia e negócios, funcione como espaço de articulação política e sinalização ao mercado. Ainda mais em um ano de eleição.
Saúde entra no radar da agenda
Outro fator que pesa no cenário é a agenda pessoal do presidente. Lula passou por um procedimento cirúrgico na manhã desta sexta-feira (24), em São Paulo, para retirada de uma lesão no couro cabeludo.
Segundo o médico Ricardo Kalil, a intervenção foi simples e sem intercorrências. “Ele deverá permanecer mais algumas horas no hospital e deve ir para casa hoje”, afirmou.
O procedimento foi realizado pela médica Cristina Abdala, com retirada de uma lesão do tipo basocelular — condição comum e associada à exposição solar. O material foi encaminhado para biópsia.
Além disso, o presidente realizou uma infiltração na mão direita para tratar uma tendinite.
De acordo com Kalil, Lula deve permanecer em repouso nos próximos dias, evitando grandes eventos, embora a recuperação não comprometa sua agenda de médio prazo. “Vamos evitar grandes eventos nos próximos dias. Lula não vai tomar medicamento. Ficou uma ferida cirúrgica e é esperar cicatrizar”, disse.
Nos bastidores, a recomendação médica reforça o cenário de ausência na abertura da Agrishow, ainda que a agenda presidencial siga oficialmente em aberto.
