O que Lula e Trump vão discutir em Washington? Veja o que está em jogo
Encontro entre os presidentes deve tratar de tarifas, guerra no Oriente Médio e minerais estratégicos em meio a tensões comerciais
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve se reunir na próxima quinta-feira (7), em Washington, com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em um encontro que ocorre em meio a tensões comerciais e discussões geopolíticas sensíveis.
A viagem de Lula está prevista para a tarde de quarta-feira, com saída de Brasília. Até o momento, no entanto, a agenda oficial da visita ainda não foi divulgada pelo Itamaraty. A reunião era esperada para antes, mas foi adiada por conta da Guerra do Irã.
Este será o terceiro encontro presencial entre os dois líderes desde o início do segundo mandato de Trump — e o segundo em solo americano.
O primeiro contato ocorreu de forma breve nos bastidores da Assembleia Geral da ONU, em setembro. Já em outubro, os dois voltaram a se reunir na Malásia, durante a 47ª Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), a pedido do governo brasileiro.
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A reunião deve avançar sobre temas estratégicos para a relação bilateral e o cenário internacional. Entre os principais pontos estão a guerra envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã, as tensões comerciais após o tarifaço sobre produtos brasileiros e o interesse nas chamadas terras raras.
Em fevereiro, a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou a tarifa de 50% imposta por Trump sobre exportações brasileiras. Ainda assim, o governo americano manteve o tom duro e segue investigando Brasil e China por supostas práticas comerciais desleais.
A expectativa é que o encontro sirva para destravar parte dessas tensões e reposicionar a relação entre os dois países.
Alckmin aposta em diálogo e avanço nas relações
O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou nesta segunda-feira (4), em São Paulo, que o encontro deve fortalecer a parceria entre Brasil e Estados Unidos.
"Eu torço para que essa boa química que ocorreu entre o presidente Lula e o presidente Trump possa fortalecer ainda mais em benefício dos dois grandes países, duas grandes democracias do Ocidente", disse a jornalistas.
Alckmin destacou o peso econômico da relação bilateral. Segundo ele, os Estados Unidos são o principal investidor no Brasil e o terceiro parceiro comercial, atrás de China e União Europeia.
“Esse encontro é muito importante porque os Estados Unidos são o terceiro parceiro comercial do Brasil, atrás da China e da União Europeia. Mas ele é o primeiro investidor no Brasil. Então é [uma reunião] muito importante”, afirmou.
Sobre o impasse tarifário, o vice-presidente reiterou a posição do governo brasileiro. “A questão tarifária, nós sempre defendemos que tivesse uma relação melhor. Aquele tarifaço não tinha sentido porque os Estados Unidos têm déficit na balança comercial com muitos países do mundo, mas não tem com o Brasil”, disse.
Big techs e investimentos entram na pauta
Além das disputas comerciais, o encontro também deve abrir espaço para negociações envolvendo economia digital, minerais estratégicos e atração de investimentos.
“O presidente Lula é do diálogo. Toda orientação é no sentido de fortalecer a relação Brasil e Estados Unidos. É um ganha-ganha. Nós temos aqui mais de 3 mil, quase 4 mil empresas americanas no Brasil. Acho que estamos vivendo um outro momento, passando o tarifaço. E agora é fortalecer essa parceria, derrubar também barreiras não tarifárias", afirmou Alckmin.
Segundo ele, há oportunidades em áreas como data centers e cooperação tecnológica. “Vai ter aqui o Redata, um programa para atrair data center. Tem muita oportunidade de investimentos recíprocos”, completou.