Lula cobra ação urgente dos ministros: “todos sabem que o alimento está caro”
Presidente também deu "puxão de orelha" em Haddad após crise do Pix
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Presidente Lula durante a reunião ministerial na Granja do Torto, em Brasília. (Foto: Ricardo Stuckert / PR) )
Durante a primeira reunião do ano com seus ministros, realizada nesta segunda-feira (20), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) destacou uma das principais prioridades do governo federal para 2025: reduzir o preço dos alimentos, especialmente os que chegam à mesa do trabalhador.
Em sua fala, o presidente orientou seus ministros a se empenhar na tarefa de tornar os alimentos mais acessíveis.
"Temos agora um tema muito importante, que é a reconstrução, a união e comida barata na mesa do trabalhador, porque os alimentos estão caros", afirmou Lula, cobrando ação direta dos ministros para garantir que os preços dos alimentos se tornem mais compatíveis com a realidade salarial da população.
"Todos ministros sabem que o alimento está caro. É uma tarefa nossa garantir que o alimento chegue na mesa do povo trabalhador, da dona de casa e do povo brasileiro em condições compatíveis com o salário que ganha", completou.
O presidente também comentou sobre o cenário econômico, destacando que 2025 será um ano de colheita das políticas públicas implementadas após um período de "reconstituição" das pastas, que, segundo ele, foram "desmontadas" no governo anterior.
Além disso, Lula se referiu ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que fechou o ano passado em 4,83%, superando a meta.
O Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central (BC) nesta segunda-feira, ajustou as projeções de inflação para 2025, passando de 5,00% para 5,08%, e para 2026, que subiu de 4,05% para 4,10%
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Desinformação e controle ministerial
Em sua fala, Lula também abordou a questão da desinformação e a necessidade de um controle mais rigoroso nas ações do governo.
O presidente pediu aos ministros que redobrem a atenção para evitar ações que possam ser distorcidas ou mal interpretadas pela oposição. Ele mencionou, sem citar nomes, a confusão causada pela instrução normativa da Receita Federal sobre a fiscalização de transações via Pix, que foi revogada após ampla repercussão negativa.
"Daqui para frente, nenhum ministro vai poder fazer portaria que depois crie confusão, sem que essa portaria passe pela Presidência da República, por meio da Casa Civil", afirmou Lula.
Essa declaração foi uma indireta ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, após a polêmica gerada pela medida que ampliava a fiscalização sobre transações de pessoas físicas via Pix que somassem ao menos R$ 5.000 por mês.
A nova normativa foi duramente criticada pela oposição, que conseguiu pressionar o governo a recuar e revogar a medida.
Lula e a Casa Civil afirmaram que não tinham conhecimento da instrução normativa até a repercussão nas redes sociais, o que gerou desconforto interno no governo.

Eleições 2026 e defesa da democracia
Lula também comentou sobre a antecipação da campanha eleitoral de 2026, destacando que seus adversários já estão em plena campanha.
"Basta ver a internet para perceber que eles já estão em campanha. E nós não podemos antecipar a campanha, porque temos de trabalhar para entregar ao povo aquilo que ele precisa", disse o presidente, reiterando seu compromisso com a democracia.
"Eu tenho uma causa, e ela é o que vai me motivar em 2025, que é a de não permitir, em hipótese alguma, que esse país volte ao horror do que foi o mandato do meu antecessor, garantindo que a democracia permaneça nesse país", afirmou.
Relações internacionais e geopolítica em 2025
O presidente também falou sobre a política externa do Brasil, destacando a importância das relações com os Estados Unidos.
"Torço para que ele (Trump) faça uma gestão profícua, para que o povo brasileiro e o americano melhorem, e para que os americanos continuem a ser o parceiro histórico que é do Brasil", disse Lula, referindo-se à posse de Donald Trump.
Além disso, o Brasil terá um papel importante em 2025, com a presidência do BRICS e a COP30 em Belém (PA).
"A gente vai ter um desafio agora que vai ser o BRICS, em julho. Vai ter outro desafio que vai ser a COP30, em novembro", comentou Lula, enfatizando a relevância desses eventos para a imagem do país no exterior.