Reforma do Imposto de Renda: quem pagará mais e quem estará isento?

    Governo quer taxar super-ricos e tributar dividendos pagos por empresas a acionistas

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    Reforma do Imposto de Renda: quem pagará mais e quem estará isento?
    18deMarçode2025ás16:20

    O governo federal enviou ao Congresso Nacional, nesta terça-feira (18), o projeto de reforma do Imposto de Renda, que prevê mudanças na isenção e novas tributações para altas rendas e remessas de dividendos ao exterior.

    Caso aprovado, o texto valerá a partir de 2026 e deve ter um impacto estimado de R$ 25,84 bilhões sobre os cofres públicos.

    A principal mudança será a elevação da faixa de isenção para R$ 5 mil, beneficiando um grande número de contribuintes.

    Para compensar a medida, o governo propõe tributar cerca de 141,3 mil pessoas que ganham mais de R$ 50 mil por mês e aplicar tributação de 10% sobre dividendos remetidos ao exterior.

    O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que a proposta não busca aumentar a arrecadação, mas redistribuir a carga tributária de maneira mais justa.

    “Com esse projeto, não se pretende arrecadar mais nem menos, mas garantir que famílias dentro dessa faixa de renda tenham mais alívio financeiro ao fim do mês”, declarou.

    Quem fica isento do imposto de renda?

    Se aprovado pelo Congresso, o novo limite de isenção passará dos atuais R$ 2.259,20 para R$ 5 mil. Além disso, haverá um desconto parcial para quem ganha entre R$ 5 mil e R$ 7 mil. Acima desse valor, será aplicada a tabela progressiva do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF).

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    Segundo Haddad, essa será a primeira reforma tributária com impacto significativo na renda dos trabalhadores. 

    “O Brasil está entre as maiores economias do mundo, mas também figura entre os países mais desiguais. Essa medida busca corrigir parte dessa distorção”, disse.

    Quem pagará mais imposto?

    A nova tributação sobre altas rendas afetará um grupo pequeno de contribuintes. De acordo com o Ministério da Fazenda, apenas 0,13% das pessoas que pagam IRPF serão impactadas.

    Essa parcela atualmente paga uma alíquota efetiva média de apenas 2,54%, enquanto trabalhadores com carteira assinada chegam a ter 69,18% da renda tributada com alíquota de até 27,5%.

    Principais mudanças: 

    • A tributação afetará apenas 141 mil contribuintes (0,13% do total).

    • Pessoas com rendimento superior a R$ 600 mil por ano (R$ 50 mil por mês) terão alíquota mínima de 9%.

    • A nova regra não cria um imposto novo, apenas define um nível mínimo de tributação para os mais ricos.

    Como será calculada a nova tributação sobre altas rendas?

    O novo modelo adotará um sistema progressivo. A Receita Federal somará toda a renda anual do contribuinte, incluindo: 

    • Salário

    • Aluguéis

    • Dividendos

    • Outros rendimentos

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    Se o total ficar abaixo de R$ 600 mil anuais (R$ 50 mil mensais), não haverá cobrança adicional. Caso ultrapasse esse valor, será aplicada uma alíquota gradual, que pode chegar a 10% para quem ganha acima de R$ 1,2 milhão por ano (R$ 100 mil mensais).

    No entanto, rendimentos já tributados ou isentos não entram nesse cálculo, como:

    • salários, aluguéis e honorários com IR retido na fonte

    • Ganhos de poupança

    • Títulos isentos

    • Heranças

    • Aposentadoria e pensão por moléstia grave

    • Ganhos de capital na venda de imóveis

    • Indenizações

    Após as deduções, o imposto mínimo será calculado e aplicado sobre os rendimentos excedentes.

    IR2026

    Dividendos e remessas ao exterior

    A nova regra também propõe a tributação de dividendos, parcela dos lucros distribuída por empresas aos acionistas.

    O governo pretende cobrar 10% de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF)  para contribuintes que recebem mais de R$ 50 mil por mês em dividendos. 

    Além disso, qualquer remessa de dividendos ao exterior será tributada em 10%, mas apenas quando o destinatário for um cidadão estrangeiro ou empresa sediada fora do Brasil.

    Desde a década de 1990, os dividendos são isentos de Imposto de Renda, e a proposta visa equilibrar a tributação sobre capital e trabalho. 

    A nova regra também limita a carga tributária sobre empresas, estabelecendo um teto para a soma do imposto empresarial e da tributação sobre dividendos: 

    • 34% para empresas não financeiras

    • 45% para empresas do setor financeiro

    Caso o total ultrapasse esse limite, haverá restituição ou crédito na declaração de ajuste anual, reduzindo a alíquota final de dividendos abaixo dos 10%. 

    Impacto para trabalhadores com carteira assinada

    A nova taxação não afetará trabalhadores assalariados que já têm imposto retido na fonte. Para aqueles com renda anual de R$ 1,2 milhão e alíquota efetiva de 8%, por exemplo, a nova regra apenas exigirá um acréscimo de 2%, atingindo os 10%. 

    Já para quem tem rendimentos anuais de R$ 2 milhões e já paga 12% de IRPF, não haverá acréscimo na tributação.

    Impacto para informais e recebimentos via Pix

    O Ministério da Fazenda esclareceu que a nova regra não altera a tributação de trabalhadores informais ou de autônomos que recebem via Pix.

    Mesmo que a renda mensal ultrapasse R$ 50 mil, não haverá cobrança adicional caso os valores sejam provenientes de salários, honorários ou aluguéis, que já são tributados na fonte. 

    Na prática, a reforma impactará somente aqueles que acumulam rendimentos isentos, como dividendos acima do limite estipulado.

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