Governo lança novo leilão para recuperar pastagens e atrair até US$ 2 bilhões em investimentos

    Programa Eco Invest vai financiar recuperação de 1 milhão de hectares

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    Governo lança novo leilão para recuperar pastagens e atrair até US$ 2 bilhões em investimentos
    28deAbrilde2025ás15:35

    O Governo Federal, por meio do Tesouro Nacional, lançou nesta segunda-feira (8) o segundo leilão do programa Eco Invest, iniciativa que visa mobilizar recursos para financiar projetos de recuperação de terras degradadas no Brasil.

    O objetivo é restaurar 1 milhão de hectares de pastagens nos biomas Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga, Pampa e Pantanal. O bioma Amazônico, devido às suas especificidades, terá um leilão próprio, previsto para os próximos meses.

    O leilão faz parte do Novo Brasil – Plano de Transformação Ecológica, coordenado pelos ministérios da Fazenda e do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), com a parceria do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). 

    Segundo o Ministério da Fazenda, a expectativa é atrair entre US$ 1,5 bilhão e US$ 2 bilhões em recursos. O valor exato a ser alocado pelo governo não será divulgado para evitar distorções na competição entre instituições financeiras.

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    Como vai funcionar o leilão

    O modelo será de blended finance, no qual o capital público funciona como catalisador para atrair investimentos privados. 

    • Cada banco poderá receber até 35% do montante público. 

    • O lance mínimo será de R$ 100 milhões. 

    • Em caso de empate, vence quem se comprometer a restaurar a maior área de hectares. 

    Além disso, serão incentivados novos Fundos de Investimento, como Fiagro e FIDCs, voltados especificamente à recuperação de terras, ampliando o potencial de captação e estruturação de projetos. 

    Critérios ambientais e impactos esperados

    Os projetos financiados deverão seguir critérios ambientais rigorosos, como:

    • Recuperação e conservação do solo, 

    • Preservação de recursos hídricos, 

    • Monitoramento de emissões de gases de efeito estufa (GEE), 

    • Ampliação da cobertura vegetal permanente.

    No mínimo 50% da carteira dos bancos participantes deverá ser destinada à produção de alimentos, com foco em proteína animal e lavouras. A recuperação da Caatinga será prioridade entre as áreas elegíveis.

    Segundo o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, a iniciativa também visa promover inclusão produtiva de pequenos produtores e fortalecer a segurança alimentar no país, elevando a produtividade em áreas hoje degradadas.

    Caminho Verde Brasil

    O Eco Invest financia a primeira fase do programa Caminho Verde Brasil, que pretende recuperar 40 milhões de hectares de áreas degradadas em dez anos, com uso exclusivo para a agricultura sustentável.

    De acordo com o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, o programa permitirá dobrar a produção de alimentos no Brasil sem necessidade de desmatamento. “É uma grande oportunidade para captar investimentos internacionais e contribuir com a segurança alimentar global”, afirmou.

     
     
     
     
     
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    O Tesouro Nacional abriu uma chamada pública para que cooperativas, empresas e produtores organizados enviem projetos de recuperação de terras. As propostas devem ser enviadas até 13 de junho de 2025, para o e-mail projetosecoinvest@tesouro.gov.br.

    O objetivo é facilitar a seleção pelas instituições financeiras e ampliar o número de projetos elegíveis.

    Haddad fala em transformação

    Fernando Haddad, ministro da Fazenda, destacou que o Eco Invest é “um dos pilares da transformação ecológica”, ao impulsionar práticas agrícolas mais sustentáveis no Brasil.

    Marina Silva, ministra do Meio Ambiente, reforçou que o programa está alinhado às metas brasileiras de redução de emissões de carbono e combate ao desmatamento até 2030. 

    Já Ilan Goldfajn, presidente do BID, afirmou que o Eco Invest é um modelo inovador, com potencial de replicação internacional, e que supera barreiras históricas para atração de capital privado para projetos sustentáveis. 

    Atualmente, o Brasil possui cerca de 280 milhões de hectares destinados à agropecuária, sendo 165 milhões usados como pastagens. Destes, 82 milhões estão degradados. A meta do governo é restaurar 40 milhões de hectares ao longo da próxima década.

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