Governo lança novo leilão para recuperar pastagens e atrair até US$ 2 bilhões em investimentos
Programa Eco Invest vai financiar recuperação de 1 milhão de hectares
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O Governo Federal, por meio do Tesouro Nacional, lançou nesta segunda-feira (8) o segundo leilão do programa Eco Invest, iniciativa que visa mobilizar recursos para financiar projetos de recuperação de terras degradadas no Brasil.
O objetivo é restaurar 1 milhão de hectares de pastagens nos biomas Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga, Pampa e Pantanal. O bioma Amazônico, devido às suas especificidades, terá um leilão próprio, previsto para os próximos meses.
O leilão faz parte do Novo Brasil – Plano de Transformação Ecológica, coordenado pelos ministérios da Fazenda e do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), com a parceria do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
Segundo o Ministério da Fazenda, a expectativa é atrair entre US$ 1,5 bilhão e US$ 2 bilhões em recursos. O valor exato a ser alocado pelo governo não será divulgado para evitar distorções na competição entre instituições financeiras.

Como vai funcionar o leilão
O modelo será de blended finance, no qual o capital público funciona como catalisador para atrair investimentos privados.
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Cada banco poderá receber até 35% do montante público.
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O lance mínimo será de R$ 100 milhões.
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Em caso de empate, vence quem se comprometer a restaurar a maior área de hectares.
Além disso, serão incentivados novos Fundos de Investimento, como Fiagro e FIDCs, voltados especificamente à recuperação de terras, ampliando o potencial de captação e estruturação de projetos.
Critérios ambientais e impactos esperados
Os projetos financiados deverão seguir critérios ambientais rigorosos, como:
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Recuperação e conservação do solo,
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Preservação de recursos hídricos,
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Monitoramento de emissões de gases de efeito estufa (GEE),
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Ampliação da cobertura vegetal permanente.
No mínimo 50% da carteira dos bancos participantes deverá ser destinada à produção de alimentos, com foco em proteína animal e lavouras. A recuperação da Caatinga será prioridade entre as áreas elegíveis.
Segundo o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, a iniciativa também visa promover inclusão produtiva de pequenos produtores e fortalecer a segurança alimentar no país, elevando a produtividade em áreas hoje degradadas.
Caminho Verde Brasil
O Eco Invest financia a primeira fase do programa Caminho Verde Brasil, que pretende recuperar 40 milhões de hectares de áreas degradadas em dez anos, com uso exclusivo para a agricultura sustentável.
De acordo com o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, o programa permitirá dobrar a produção de alimentos no Brasil sem necessidade de desmatamento. “É uma grande oportunidade para captar investimentos internacionais e contribuir com a segurança alimentar global”, afirmou.
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O Tesouro Nacional abriu uma chamada pública para que cooperativas, empresas e produtores organizados enviem projetos de recuperação de terras. As propostas devem ser enviadas até 13 de junho de 2025, para o e-mail projetosecoinvest@tesouro.gov.br.
O objetivo é facilitar a seleção pelas instituições financeiras e ampliar o número de projetos elegíveis.
Haddad fala em transformação
Fernando Haddad, ministro da Fazenda, destacou que o Eco Invest é “um dos pilares da transformação ecológica”, ao impulsionar práticas agrícolas mais sustentáveis no Brasil.
Marina Silva, ministra do Meio Ambiente, reforçou que o programa está alinhado às metas brasileiras de redução de emissões de carbono e combate ao desmatamento até 2030.
Já Ilan Goldfajn, presidente do BID, afirmou que o Eco Invest é um modelo inovador, com potencial de replicação internacional, e que supera barreiras históricas para atração de capital privado para projetos sustentáveis.
Atualmente, o Brasil possui cerca de 280 milhões de hectares destinados à agropecuária, sendo 165 milhões usados como pastagens. Destes, 82 milhões estão degradados. A meta do governo é restaurar 40 milhões de hectares ao longo da próxima década.