Governadores de cinco estados vão à Agrishow, enquanto governo federal não anuncia nada ao agro
Tarcísio de Freitas lança pacote de R$ 600 milhões e secretario provoca governo Lula

Pacote paulista inclui linhas de crédito, seguro rural, recuperação de estradas, incentivos à mecanização agrícola. (Foto: Celio Messias / Governo do Estado de SP)
A 30ª edição da Agrishow, em Ribeirão Preto (SP), ainda nem terminou, mas já escancarou — mais uma vez — o distanciamento do governo federal em relação ao agronegócio.
Enquanto cinco governadores participaram ativamente do evento, o setor segue sem qualquer anúncio relevante por parte da União.
A ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, foi a marca da abertura da feira.
Coube novamente ao vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, assumir o papel de representante do governo federal — limitado a prometer um Plano Safra ampliado.
“Nós vamos trabalhar para ter o aumento do valor do Plano Safra, e ele certamente vai exigir uma equalização maior em razão do aumento da taxa Selic. Vou levar, sim, o pleito do Plano Safra condizente com o tamanho recorde que vai ser a safra agrícola deste ano no Brasil”, afirmou Alckmin.
Quem marcou presença?
Entre os governadores que passaram pela Agrishow estão nomes com peso político e, não por acaso, quatro dos cinco citados são cogitados como possíveis candidatos à Presidência em 2026: Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), Romeu Zema (Novo-MG), Ronaldo Caiado (União Brasil-GO) e Ratinho Júnior (PSD-PR). O quinto foi Helder Barbalho (MDB-PA).

No domingo (27), a abertura contou com as presenças de Zema e Caiado. Na segunda-feira, foi a vez de Ratinho Júnior e Barbalho visitarem a feira.
Já na terça (29), a presença ficou por conta de Tarcísio de Freitas — que desfilou com direito a berrante, fotos e trilha sertaneja e teve recepção de gala pelos participantes e visitantes da feira.
E entregou mais do que poses: anunciou um pacote de R$ 600 milhões para impulsionar o agro paulista.
Ver essa foto no Instagram
São Paulo investe e provoca Brasília
O pacote paulista inclui linhas de crédito, seguro rural, recuperação de estradas, incentivos à mecanização agrícola e projetos de lei voltados à regularização fundiária e valorização de carreiras na Secretaria de Agricultura.
Coube ao secretário estadual da Agricultura, Guilherme Piai (Republicanos), o recado direto a Brasília:
“Não foi anunciado nada do governo federal na maior feira de agronegócio do mundo. E aqui, hoje, o governador de São Paulo, que valoriza a mulher e o homem do campo, tem 11 anúncios para o setor”, afirmou.
O pacote paulista contempla:
-
R$ 100 milhões em subvenção ao seguro rural via Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (FEAP), para proteger produtores contra perdas por eventos climáticos;
-
Mais de R$ 200 milhões no programa Melhor Caminho, que prevê a recuperação de 1.000 km de estradas rurais até 2026, além da construção de pontes e centros de distribuição;
-
R$ 50 milhões para o programa Pró-Trator, com subsídios para aquisição de máquinas por pequenos e médios produtores, incluindo agora cooperativas rurais.
Governadores reforçam importância da Agrishow
Os chefes de estado não economizaram elogios à feira. Ratinho Júnior destacou a transformação do agro.
“O agronegócio saiu da enxada e está nos smartphones, tablets e drones — muito disso se deve à Agrishow.”
Caiado lembrou o papel da Abimaq no avanço tecnológico do maquinário agrícola. Romeu Zema definiu a Agrishow como elo entre ciência e campo. Já Helder Barbalho ressaltou o diálogo com as vocações regionais e a sustentabilidade presente nas inovações apresentadas.
Lula justificou ausência
Segundo o presidente da Agrishow, João Carlos Marchesan, Lula justificou sua ausência por meio de um telefonema de seu chefe de gabinete.
“Disseram que ele não poderia vir porque iria ao velório do papa Francisco, mas que Alckmin viria”, afirmou Marchesan à CNN.
