Qual foi o saldo do agro brasileiro após a missão ao Sudeste Asiático?

    Viagem garante novos mercados, acordos e avanço nas negociações com os EUA

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    Qual foi o saldo do agro brasileiro após a missão ao Sudeste Asiático?
    28deOutubrode2025ás13:10

    A missão oficial do governo brasileiro à Indonésia e à Malásia, realizada entre os dias 23 e 28 de outubro, resultou na abertura de seis novos mercados, na revisão de protocolos sanitários, na retomada de exportações estratégicas e na assinatura de acordos de cooperação técnica e científica, um saldo considerado altamente positivo para o agronegócio brasileiro.

    Em Kuala Lumpur, durante a primeira reunião bilateral dedicada exclusivamente ao setor agropecuário, o Brasil conquistou acesso para exportar pescados extrativos e de cultivo, gergelim, ovo em pó, melões do Ceará e do Rio Grande do Norte, além de maçãs do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina.

    Além disso, foi retomado o comércio de carne de frango brasileira com a Malásia, após a atualização do protocolo sanitário que reduziu de 12 para três meses o período de suspensão em casos de influenza aviária de alta patogenicidade. 

    O país também confirmou a antecipação da auditoria para habilitação de novos frigoríficos de carne suína, prevista para novembro, abrindo caminho para ampliar os embarques brasileiros.

    “Encerramos mais uma missão governamental com excelentes resultados. Trabalhamos para abrir mercados, fortalecer laços diplomáticos e garantir oportunidades para os produtores brasileiros. Assim seguimos, com o presidente Lula, ampliando a presença do agro do Brasil no mundo”, afirmou o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro.

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    Outro destaque foi a assinatura de um acordo de cooperação técnica entre o Mapa, a Embrapa e o Instituto de Pesquisa Agrícola da Malásia (MARDI).

    O documento prevê o desenvolvimento de projetos conjuntos em biotecnologia e nanotecnologia, além de intercâmbio técnico nas cadeias produtivas de sorgo, soja, milho e coco, fortalecendo a cooperação científica entre os países.

    Retomada do sistema de pré-listing 

    Durante a missão, o governo brasileiro também recebeu a confirmação da retomada do sistema de pré-listing para exportações de carne de frango à União Europeia, suspenso desde 2018.

    O mecanismo permite que frigoríficos que cumpram as normas sanitárias europeias exportem sem necessidade de auditorias individuais — avanço considerado significativo pelo setor avícola.

    “Essa retomada representa uma excelente oportunidade para os criadores e para a agroindústria de frango do Brasil, que seguem demonstrando ao mundo a qualidade e a responsabilidade sanitária da produção nacional”, ressaltou Fávaro.

    Na Indonésia, o Brasil avançou nas negociações para ampliar o mercado de carne bovina, com a confirmação de uma nova auditoria ainda este ano para habilitação de plantas exportadoras. 

    O país asiático é o quarto maior mercado agropecuário do mundo, e a expectativa é de crescimento expressivo no volume de negócios.

    Também foi firmado um acordo de cooperação com a autoridade quarentenária da Indonésia, que estabelece equivalência sanitária, fitossanitária e certificação eletrônica, reforçando a segurança técnica e a confiança mútua entre os dois países.

    Tarifaço e aproximação com os Estados Unidos

    Encerrada a agenda asiática, o agronegócio brasileiro volta agora suas atenções ao fim do tarifaço imposto pelo presidente Donald Trump.

    O setor, especialmente os ramos de carne, café e frutas, mantém expectativa otimista após o encontro entre Lula e Trump em Kuala Lumpur, no domingo (26).

    A reunião, o primeiro diálogo direto entre os dois líderes desde o retorno de Trump à Casa Branca, foi classificada pelo presidente em exercício, Geraldo Alckmin (PSB), como o “passo mais importante” na reaproximação entre Brasil e Estados Unidos.

    “O passo político foi dado com brilho e louvor. Agora é hora de avançar no lado técnico e estabelecer a pauta de trabalho”, afirmou Alckmin nesta segunda-feira (27), em Brasília.

    O vice-presidente reforçou que a prioridade do governo brasileiro é retirar a sobretaxa de 40% aplicada pelos Estados Unidos a produtos nacionais desde agosto — medida considerada “inadequada” por afetar setores industriais e do agronegócio.

    “Essas tarifas de 10% [impostas em abril] mais 40% [impostas no fim de julho] são totalmente desproporcionais. A tarifa média do Brasil para os Estados Unidos é de apenas 2,7%. Precisamos resolver isso rapidamente”, disse Alckmin.

    Ele coordena o grupo responsável pelas negociações com Washington, ao lado dos ministros das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e da Fazenda, Fernando Haddad. Equipes técnicas dos dois países devem se reunir nas próximas semanas.

    Durante viagem ao Japão, Trump classificou o encontro com Lula como “muito bom”, mas evitou prometer o fim imediato das tarifas.

    “Não sei se alguma coisa vai acontecer, mas veremos. Eles gostariam de fazer um acordo”, afirmou o presidente norte-americano.

    Lula, por sua vez, declarou que Brasil e Estados Unidos devem “fazer um bom acordo” nas próximas rodadas de negociação, reforçando o tom de cooperação e diálogo entre os dois países.

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